Mylena Miki Lopes Ideta et al. Camile Miyuki Ishikawa Nihei Paulo Henrique Brites Moreira Ana Karyn Ehrenfried de Freitas
Resumo
A insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção preservada (ICFEP) é atualmente o subtipo mais prevalente de IC, sobretudo em mulheres idosas com múltiplas comorbidades metabólicas. Apesar dos recentes avanços terapêuticos, sua fisiopatologia permanece incompletamente elucidada e marcadamente heterogênea. Em 2025, Milton Packer propôs uma nova estrutura conceitual: a hipótese das adipocinas. Segundo essa hipótese, a ICFEP seria uma condição primariamente impulsionada pela expansão e disfunção do tecido adiposo visceral. Essa remodelação do tecido adiposo resulta em uma secreção alterada de adipocinas, que são moléculas biologicamente ativas com efeitos endócrinos e parácrinos sobre o coração, os rins e o sistema vascular. O desequilíbrio entre adipocinas cardioprotetoras e pró-inflamatórias favorece a inflamação sistêmica, a retenção de sódio, a sobrecarga volêmica, a hipertrofia e a fibrose miocárdica, culminando na disfunção diastólica e na intolerância ao exercício, que são características da ICFEP. Este artigo revisa os principais fundamentos fisiopatológicos dessa hipótese, bem como as evidências experimentais e clínicas e as implicações terapêuticas, que propõem um paradigma unificador para a compreensão e o tratamento da ICFEP.