Hannah Cardoso Barbosa et al. Maria Auxiliadora Parreiras Martins Jordana Cristina de Jesus Karina Cardoso Meira … Luiz Guilherme Passaglia Manuela Furtado Sacioto Adriana Falangola Benjamin Bezerra Alexandre Vargas Schwarzbold Amanda de Oliveira Maurílio Barbara Lopes Farace Carla Thais Cândida Alves da Silva Christiane Corrêa Rodrigues Cimini Daniel Vitorio Silveira Daniela do Reis Carazai Daniela Ponce Emanuel Victor Alves Costa Euler Roberto Fernandes Manenti Evelin Paola de Almeida Cenci Frederico Bartolazzi Glícia Cristina de Castro Madeira Guilherme Fagundes Nascimento Isabela Vasconcellos Pires Velloso Joanna d’Arc Lyra Batista Júlia Drumond Parreiras de Morais Juliana da Silva Nogueira Carvalho Karen Brasil Ruschel Karina Paula Medeiros Prado Martins Liege Barella Zandoná Luanna Silva Monteiro Menezes Luciane Kopittke Luís César de Castro Luiz Antônio Nasi Maiara Anschau Floriani Maíra Dias Souza Marcelo Carneiro Maria Aparecida Camargos Bicalho Maria Clara Pontello Barbosa Lima Mariana Frizzo de Godoy Milton Henriques Guimarães-Júnior Paulo Mascarenhas Mendes Polianna Delfino-Pereira Raquel Jaqueline Eder Ribeiro Renan Goulart Finger Rochele Mosmann Menezes Saionara Cristina Francisco Silvia Ferreira Araújo Talita Fischer Oliveira Thainara Conceição de Oliveira Carisi Anne Polanczyk Milena Soriano Marcolino
Resumo
Fundamento
As complicações cardiovasculares da COVID-19 são aspectos importantes da patogênese e do prognóstico da doença. Evidências do papel prognóstico da troponina e da lesão miocárdica em pacientes hospitalizados com COVID-19 na América Latina são ainda escassos.
Objetivos
Avaliar a lesão miocárdica como preditor independente de mortalidade hospitalar e suporte ventilatório mecânico em pacientes hospitalizados, do registro brasileiro de COVID-19.
Métodos
Este estudo coorte é um subestudo do registro brasileiro de COVID-19, conduzido em 31 hospitais brasileiros de 17 cidades, de março a setembro de 2020. Os desfechos primários incluíram mortalidade hospitalar e suporte ventilatório mecânico invasivo. Os modelos para os desfechos primários foram estimados por regressão de Poisson com variância robusta, com significância estatística de p<0,05.
Resultados
Dos 2925 pacientes [idade mediana de 60 anos (48-71), 57,1%], 27,3% apresentaram lesão miocárdica. A proporção de pacientes com comorbidades foi maior nos pacientes com lesão miocárdica [mediana 2 (1-2) vs. 1 (0-20)]. Os pacientes com lesão miocárdica apresentaram maiores valores medianos de peptídeo natriurético cerebral, lactato desidrogenase, creatina fosfoquinase, N-terminal do pró-peptídeo natriurético tipo B e proteína C reativa em comparação a pacientes sem lesão miocárdica. Como fatores independentes, proteína C reativa e contagem de plaquetas foram relacionados com o risco de morte, e neutrófilos e contagem de plaquetas foram relacionados ao risco de suporte ventilatório mecânico invasivo. Os pacientes com níveis elevados de troponina apresentaram um maior risco de morte (RR 2,03, IC95% 1,60-2,58) e suporte ventilatório mecânico (RR 1,87;IC95% 1,57-2,23), em comparação àqueles com níveis de troponina normais.
Conclusão
Lesão cardíaca foi um preditor independente de mortalidade hospitalar e necessidade de suporte ventilatório mecânico em pacientes hospitalizados com COVID-19.