Alvaro Perazzo et al. Gabriel Kaleb Martins Arina Peixoto Nobre Arthur Línniker Lopes de Oliveira … Jose Roberto de Araújo Junior Gabriela Lucena Montenegro Carlos Eduardo Lucena Montenegro Patricia Bezerra Rocha Montenegro João Henrique Torres Flavio Feijó Deuzenny Tenório Diana Patrícia Lamprea Sepúlveda Samuel Padovani Steffen Sérgio Tavares Montenegro Fábio Antonio Gaiotto Fernando Moraes
Resumo
Fundamento:
As cardiomiopatias são uma importante causa de mortalidade cardiovascular, apresentando fenótipos dependentes da idade que variam desde morte súbita cardíaca (MSC) até insuficiência cardíaca progressiva. Apesar da queda nas taxas de mortalidade, lacunas na prevenção e no acesso a terapias avançadas podem se manifestar como mudanças no local do óbito e persistência de mortalidade prematura.
Objetivos:
Avaliar tendências temporais da mortalidade relacionada às cardiomiopatias no Brasil, examinar padrões etários no local do óbito e quantificar a mortalidade prematura por meio dos anos de vida perdidos (AVP).
Métodos:
Este estudo ecológico nacional, baseado em população, analisou 369 570 óbitos no Brasil (1996–2024) em que a cardiomiopatia (CID-10 I42) foi a causa básica. Tendências temporais foram avaliadas por regressão de Poisson, e associações entre idade e local do óbito foram estimadas por razões de chances (OR). Os AVP foram calculados utilizando tábuas de vida nacionais.
Resultados:
A mortalidade ajustada por idade diminuiu 1,7% ao ano (p<0,001). Óbitos hospitalares caíram de 75% para 43%, enquanto óbitos domiciliares aumentaram de 20% para 38%, com ponto de inflexão significativo por volta de 2011. Óbitos em vias públicas, usados como proxy de MSC, foram mais frequentes entre adultos de 20–39 anos (4,8%) do que entre aqueles com ≥60 anos (0,8%; OR 2,88; IC 95% 2,68–3,10). O total de AVP atingiu 6,83 milhões de anos. Indivíduos de 20–39 anos representaram apenas 5,5% dos óbitos, mas contribuíram com 12,8% dos AVP totais, com média de 42,9 anos perdidos por óbito.
Conclusões:
Apesar da queda na mortalidade, óbitos fora do ambiente hospitalar tornaram-se mais frequentes. O excesso de AVP entre adultos jovens evidencia lacunas na prevenção da MSC. Estratégias específicas por faixa etária são necessárias para reduzir a mortalidade prematura.