Prevalência e Determinantes Clínicos da Terapia Farmacológica Otimizada na Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida
Resumo
Fundamento
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), o tratamento medicamentoso otimizado (TMO) com betabloqueador, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA) (ou sacubitril/valsartana), espironolactona e inibidores do co-transportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2) em dose-alvo ou máxima tolerada reduz morbimortalidade. Contudo, dados reais mostram sua subutilização.
Objetivo
Estimar a prevalência e associações clínicas que interfiram na utilização do TMO na prática clínica.
Método
Estudo observacional de corte transversal com pacientes ambulatoriais com ICFEr atendidos em hospital terciário. Fatores clínicos associados ao tratamento foram avaliados por regressão logística binária (intervalo de confiança de 95%).
Resultados
Foram analisados 266 pacientes (idade média de 61 anos; 62,4% do sexo masculino), 113 (42,5%) com etiologia chagásica. Fração de ejeção média foi 34,2%. Vasodilatadores, betabloqueadores, espironolactona e gliflozinas foram prescritos em 88%, 95,9%, 85,3% e 27,4%, respectivamente. A prevalência de TMO foi de 7,9% (21 pacientes). Diabetes foi associado à maior probabilidade de uso da TMO (p=0,034). Doença de Chagas foi associada a menor probabilidade de receber vasodilatadores (p=0,015) e maior uso de furosemida, amiodarona e digoxina (p<0,005). Doença renal crônica (DRC), idade maior que 60 anos, pressão arterial menor que 100mmHg e uso de furosemida foram associados a menor uso de vasodilatadores (p=0,003; 0,025, 0,010 e 0,046). DRC foi associada a menor uso de espironolactona (p=0,002). Diabetes (p=0,002) e uso de furosemida (0,005) foram associadas ao uso de iSGLT2.
Conclusão
Apesar da prevalência elevada da prescrição de drogas modificadoras de doença, o uso do TMO foi significativamente menor que o esperado. DRC, idade avançada, hipotensão arterial e uso concomitante de furosemida foram associados à redução da probabilidade de receber esses fármacos, enquanto diabetes foi associado com maior chance de uso do TMO.
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