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  2. Palavra-chave: Síndrome de Imunodeficiência Adquirida
ABC
Editorial

Estimando o Risco Cardiovascular em Pacientes Infectados pelo HIV

Marcio Sommer Bittencourt

Desde os relatos iniciais de infecções pelo HIV em 1981, progressos substanciais na prevenção, detecção e no tratamento levaram a uma redução acentuada da mortalidade. Entre esses progressos, o uso de terapia antirretroviral altamente ativa (HAART), com a combinação de múltiplos antirretrovirais atuando em diferentes fases do ciclo viral, resultou em reduções impressionantes na transmissão e complicações infecciosas. Esse aumento na sobrevida levou a uma população grande e crescente de pessoas vivendo com HIV (PVHIV) como uma condição crônica em um ambiente em que outras complicações não infecciosas se tornaram mais comuns.

Entre as novas condições que afetam as PVHIV, as complicações cardiovasculares se tornaram a principal causa de morbidade e mortalidade, pelo menos em países com acesso adequado aos cuidados e uso generalizado da HAART. O aumento do risco cardiovascular nas PVHIV é multifatorial. Primeiro, os estudos sugerem que as PVHIV são mais propensas a serem diabéticas e fumantes. Segundo, esses indivíduos têm maior probabilidade de apresentar níveis de triglicérides mais altos e HDL-C mais baixo, embora o LDL-C e o colesterol total também sejam reduzidos. Também parece possível que a infecção pelo HIV seja responsável pelo aumento da pressão arterial e dos níveis de glicose por diferentes mecanismos. No entanto, evidências consideráveis apoiam o conceito de que os fatores de risco tradicionais não respondem totalmente pelo maior risco cardiovascular nesses indivíduos, uma vez que as alterações no sistema cardiovascular das PVHIV é multifatorial e, pelo menos parcialmente, mediado pela inflamação e ativação imune, levando à disfunção endotelial, alterações na elasticidade vascular e coagulação.

[…]

  • Doenças das Artérias Carótidas
  • Fatores de risco
  • HIV
  • Indicadores de Morbimortalidade
  • Síndrome de Imunodeficiência Adquirida
  • Terapia Antirretroviral de Alta Atividade
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
10/02/2020 DOI: 10.36660/abc.20190747 Visualizações 1
Figura 1
ABC
Artigo Original

O Uso do Strain Bidimensional Obtido pelo Speckle Tracking na Identificação da Disfunção Ventricular Incipiente em Pacientes Infectados pelo HIV em Uso de Terapia Antirretroviral, Pacientes HIV não Tratados e Controles Saudáveis

Ronaldo Campos Rodrigues et al. Katia Martins Lopes de Azevedo Samuel Datum Moscavitch Sergio Setubal Claudio Tinoco Mesquita

Resumo

Fundamento:

A maior parte das alterações cardiovasculares dos pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) tem sido associada ao dano miocárdico causado diretamente pelo vírus. Alguns casos, porém, podem estar associados a efeitos adversos da terapia antirretroviral (TARV). Novas técnicas de avaliação da função ventricular são capazes de detectar modificações precoces na função cardíaca do paciente infectado pelo HIV em uso ou não de TARV. A utilidade dessas técnicas tem sido pouco empregada nesses pacientes.

Objetivos:

Investigar possível influência da terapia antirretroviral (TARV) na ocorrência de disfunção sistólica ventricular esquerda subclínica avaliada pela análise da taxa de deformação miocárdica (strain) por meio do speckle tracking ao ecocardiograma bidimensional (E2D) em pacientes portadores do HIV tratados, comparados com pacientes não tratados e indivíduos saudáveis.

Métodos:

Sessenta e oito pacientes infectados pelo HIV assintomáticos do ponto de vista cardiovascular, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (VE) normal (>0,55 pelo E2D) foram divididos em três grupos: 11 pacientes sem tratamento antirretroviral (ST), 24 em uso de inibidor de protease (IP) e 33 em uso de inibidor de transcriptase reversa não nucleosídeo (ITRNN). Foram estudados também 30 indivíduos normais não infectados pelo HIV (Ctrl). Foram coletados dados demográficos, clínicos, bioquímicos e antropométricos. A ecocardiografia transtorácica foi realizada incluindo no estudo inicial o estudo da deformação miocárdica pela técnica bidimensional (speckle tracking). Estudamos o strain e a sua taxa de deformação (strain rate) nos dezessete segmentos miocárdicos do ventrículo esquerdo (VE) nos eixos longitudinal, circunferencial e radial. A análise estatística dos dados foi feita com o programa IBM SPSS – versão 20 para Windows. Depois de analisados os dados, nomeadamente a normalidade das variáveis independentes nos diferentes grupos e a homogeneidade das variâncias entre os grupos, decidiu-se utilizar o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis seguido dos testes de comparações múltiplas pelo procedimento de Dunn, para testar a significância das diferenças entre os valores medidos nos grupos em estudo. Foi considerado o nível de significância de 5% para a tomada de decisão nos testes estatísticos realizados.

Resultados:

A média das idades dos pacientes com HIV foi de 40 ± 8,65 anos e a idade média dos controles foi de 50 ± 11,6 anos (p < 0,001). Os valores medianos do strain longitudinal global do VE (SLG) dos pacientes ST (-17.70%), dos pacientes IP (-18.27%) e ITRNN (-18.47%) foram significativamente menores do que o grupo Ctrl (-20,77%; p = 0,001). Não houve diferença significante nos valores médios do SLGentre os pacientes tratados (IP, ITRNN) e não tratados (ST). Não foram observadas diferenças significantes nos valores médios do strain circunferencial e radial, nem nas taxas de deformação circunferencial e radial entre os grupos ST, IP, ITRNN e Ctrl.

Conclusão:

Os dados sugerem que pacientes com HIV apresentam, à análise da deformação miocárdica ao speckle tracking, sinais de disfunção sistólica incipiente do VE que parece não ter relação com a presença de TARV. O significado prognóstico dessa alteração nesses pacientes merece estudos futuros.

  • Diagnóstico por Imagem
  • Disfunção Ventricular Esquerda
  • Ecocardiografia Doppler
  • HIV
  • Síndrome de Imunodeficiência Adquirida
  • Speckle Tracking
  • Strain
  • Terapia de Antirretroviral de Alta Atividade
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
02/09/2019 DOI: 10.5935/abc.20190169
Terapia antirretroviral altamente eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta a rigidez aórtica
ABC
Artigo Original

Terapia antirretroviral altamente eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta a rigidez aórtica

Margareth Eira et al. Isabela M. Bensenor Egidio Lima Dorea Roberto Sá Cunha … José Geraldo Mill Paulo A. Lotufo

FUNDAMENTO: Sabe-se que a terapia antirretroviral altamente potente para Aids reconhecida aumenta o risco cardiovascular, mas os efeitos dos agentes antirretrovirais de acordo com o gênero ainda são desconhecidos. OBJETIVO: O presente estudo avaliou o impacto do tratamento para o vírus da imunodeficiência humana (HIV) na rigidez aórtica de acordo com o gênero. MÉTODOS: Foram recrutados 28 pacientes com Aids submetidos à terapia antirretroviral altamente potente (HAART), 28 pacientes infectados pelo HIV virgens de tratamento, 44 pacientes com diabetes tipo 2, e 30 controles. A rigidez aórtica foi determinada pela medição da Velocidade da Onda de Pulso (VOP), utilizando um equipamento automático validado e não invasivo. RESULTADOS: Os resultados médios brutos da VOP (e intervalo de confiança de 95%) para participantes nos grupos terapia antirretroviral potente, HIV virgem de tratamento, diabéticos, e controles foram 9,77 m/s (9,17-10,36), 9,00 m/s (8,37-9,63), 9,90 m/s (9,32-10,49) e 9,28 m/s (8,61-9,95), respectivamente, para os homens (p de tendência = 0,14) e 9,61 m/s (8,56-10,66), 8,45 m/s (7,51-9,39), 9,83 (9,21-10,44) e 7,79 m/s (6,99-8,58), respectivamente, para as mulheres (p valor de tendência < 0,001). Análises post-hoc revelaram uma diferença significativa entre os valores médios de VOP no grupo com HAART e controles em mulheres (p < 0,01). Ajustes para as demais covariáveis potenciais, incluindo pressão arterial sistólica e diabetes, não alteraram esses resultados. Os achados indicam que o impacto do tratamento com HAART na rigidez aórtica foi amplificado nas mulheres com hipertensão, dislipidemia e síndrome metabólica. CONCLUSÃO: Agentes antirretrovirais potentes utilizados no tratamento da infecção pelo HIV aumentam a rigidez da aorta, especialmente em mulheres com maior risco cardiovascular.

  • Anti-Retrovirais
  • Infecções por HIV
  • Rigidez Arterial
  • Síndrome de Imunodeficiência Adquirida
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
30/11/2012 DOI: 10.1590/S0066-782X2012005000110 Visualizações 1

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Bittencourt MS. Estimando o Risco Cardiovascular em Pacientes Infectados pelo HIV. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2020;114(1):76-7.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Bittencourt, Marcio Sommer. Estimando o Risco Cardiovascular em Pacientes Infectados pelo HIV. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 114, n. 1, p. 76-77, fev. 2020.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Bittencourt, M. S. (2020). Estimando o Risco Cardiovascular em Pacientes Infectados pelo HIV. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 114(1), 76-77.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Bittencourt, Marcio Sommer. Estimando o Risco Cardiovascular em Pacientes Infectados pelo HIV. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2020, vol. 114, n. 1, [citado 2026-10-14], pp. 76-77. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/estimando-o-risco-cardiovascular-em-pacientes-infectados-pelo-hiv/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Rodrigues RC, Azevedo KML, Moscavitch SD, Setubal S, Mesquita CT. O Uso do Strain Bidimensional Obtido pelo Speckle Tracking na Identificação da Disfunção Ventricular Incipiente em Pacientes Infectados pelo HIV em Uso de Terapia Antirretroviral, Pacientes HIV não Tratados e Controles Saudáveis. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2019;113(4):737-45.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Rodrigues, Ronaldo Campos; Azevedo, Katia Martins Lopes de; Moscavitch, Samuel Datum; Setubal, Sergio; Mesquita, Claudio Tinoco. O Uso do Strain Bidimensional Obtido pelo Speckle Tracking na Identificação da Disfunção Ventricular Incipiente em Pacientes Infectados pelo HIV em Uso de Terapia Antirretroviral, Pacientes HIV não Tratados e Controles Saudáveis. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 113, n. 4, p. 737-745, set. 2019.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Rodrigues, R. C., Azevedo, K. M. L. , Moscavitch, S. D., Setubal, S., & Mesquita, C. T. (2019). O Uso do Strain Bidimensional Obtido pelo Speckle Tracking na Identificação da Disfunção Ventricular Incipiente em Pacientes Infectados pelo HIV em Uso de Terapia Antirretroviral, Pacientes HIV não Tratados e Controles Saudáveis. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 113(4), 737-745.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Rodrigues, Ronaldo Campos and Azevedo, Katia Martins Lopes de and Moscavitch, Samuel Datum and Setubal, Sergio and Mesquita, Claudio Tinoco. O Uso do Strain Bidimensional Obtido pelo Speckle Tracking na Identificação da Disfunção Ventricular Incipiente em Pacientes Infectados pelo HIV em Uso de Terapia Antirretroviral, Pacientes HIV não Tratados e Controles Saudáveis. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2019, vol. 113, n. 4, [citado 2026-10-14], pp. 737-745. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/o-uso-do-strain-bidimensional-obtido-pelo-speckle-tracking-na-identificacao-da-disfuncao-ventricular-incipiente-em-pacientes-infectados-pelo-hiv-em-uso-de-terapia-antirretroviral-pacientes-hiv-nao-tr/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Eira M, Bensenor IM, Dorea EL, Cunha RS, Mill JG, Lotufo PA. Terapia antirretroviral altamente eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta a rigidez aórtica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2012;99(6):1100-7.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Eira, Margareth; Bensenor, Isabela M.; Dorea, Egidio Lima; Cunha, Roberto Sá; Mill, José Geraldo; Lotufo, Paulo A.. Terapia antirretroviral altamente eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta a rigidez aórtica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 99, n. 6, p. 1100-1107, nov. 2012.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Eira, M., Bensenor, I. M., Dorea, E. L., Cunha, R. S., Mill, J. G., & Lotufo, P. A. (2012). Terapia antirretroviral altamente eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta a rigidez aórtica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 99(6), 1100-1107.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Eira, Margareth and Bensenor, Isabela M. and Dorea, Egidio Lima and Cunha, Roberto Sá and Mill, José Geraldo and Lotufo, Paulo A.. Terapia antirretroviral altamente eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta a rigidez aórtica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2012, vol. 99, n. 6, [citado 2026-10-14], pp. 1100-1107. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/terapia-antirretroviral-altamente-eficaz-para-infeccao-pelo-virus-da-imunodeficiencia-humana-aumenta-a-rigidez-aortica/>. ISSN 0066-782X

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