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ABC
Editorial

Função Pulmonar e Força Muscular Inspiratória na Insuficiência Cardíaca: Elas Podem ser Consideradas Potenciais Marcadores Prognósticos?

Filipe Ferrari

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome complexa considerada um grande problema de saúde pública. Diferentes subtipos de IC são classicamente definidos com base na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE). Embora seu prognóstico tenha melhorado nas últimas décadas – explicado, em parte, pelos grandes avanços terapêuticos – a IC persiste com uma alta mortalidade influenciando negativamente a qualidade de vida., Nesse sentido, sintomas comuns experimentados nessa doença, como a falta de ar e a intolerância ao exercício, contribuem muito para esse declínio acentuado na qualidade de vida dos indivíduos. Outra condição, considerada um importante fator de risco que geralmente acompanha a IC, é a disfunção pulmonar. Os comprometimentos respiratórios observados na IC podem estar relacionados a diversas razões, como comprometimento da mecânica pulmonar e da difusão gasosa, além de fraqueza muscular respiratória – agravando o aumento da dispneia, sendo uma das principais limitações ao exercício físico.

A espirometria é um teste amplamente utilizado que permite a análise da função pulmonar – medindo a quantidade de ar inspirado e expirado ao máximo. Como a doença pulmonar obstrutiva crônica compartilha sinais e sintomas semelhantes aos da IC, sua identificação em indivíduos com IC pode ser um desafio; nesse sentido, a espirometria pode ajudar a confirmar o diagnóstico. Na avaliação da gravidade potencial de algumas doenças pulmonares, o teste ergométrico também pode ser útil, observando uma série de parâmetros, como a relação volume expiratório forçado no primeiro segundo/capacidade vital forçada (VEF1/CVF). A gravidade da doença ainda pode ser classificada com base no VEF1 quando está abaixo do limite inferior da normalidade (variando de leve quando ≥70% do previsto a muito grave quando <35% do previsto). Embora a própria IC possa levar a uma diminuição do VEF1 e da CVF em cerca de 20% do previsto, além do fato de que um VEF1 pior pode predizer maior mortalidade, evidências convincentes que examinem o papel prognóstico do VEF1 no cenário da IC ainda precisam de mais investigação.

[…]

  • Função ventricular
  • Insuficiência Cardíaca
  • Insuficiência Respiratória
  • Medição de Risco
  • Músculos respiratórios
  • Tolerância ao Exercício
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
29/04/2022 DOI: 10.36660/abc.20211060 Visualizações 3
ABC
Artigo Original

Relação da Função Pulmonar e da Força Inspiratória com Capacidade Aeróbica e com Prognóstico na Insuficiência Cardíaca

Sergio Henrique Rodolpho Ramalho et al. Alexandra Correa Gervazoni Balbuena de Lima Fabiola Maria Ferreira da Silva Fausto Stauffer Junqueira de Souza … Lawrence Patrick Cahalin Graziella França Bernardelli Cipriano Gerson Cipriano Junior

Resumo

Fundamento

A espirometria é subutilizada na insuficiência cardíaca (IC) e não está claro o grau de associação de cada defeito com a capacidade de exercício e com o prognóstico desses pacientes.

Objetivo

Determinar a relação da %CVF prevista (ppCVF) e do VEF1/CVF contínuos com: 1) pressão inspiratória máxima (PImáx), fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e desempenho ao exercício; e 2) prognóstico, para o desfecho composto de morte cardiovascular, transplante cardíaco ou implante de dispositivo de assistência ventricular.

Métodos

Coorte de 111 participantes com IC (estágios AHA C/D) sem pneumopatia; foram submetidos a espirometria, manovacuometria e teste cardiopulmonar máximo. As magnitudes de associação foram verificadas por regressões lineares e de Cox (HR; IC 95%), ajustadas para idade/sexo, e p <0,05 foi considerado significativo.

Resultados

Com idade média 57±12 anos, 60% eram homens, 64% em NYHAIII. A cada aumento de 10% no VEF1/CVF [β 7% (IC 95%: 3-10)] e no ppCVF [4% (2-6)], foi associado à reserva ventilatória (VRes); no entanto, apenas o ppCVF associado à PImáx [3,8cmH2O (0,3-7,3)], à fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) [2,1% (0,5-3,8)] e ao VO2 pico [0,5mL/kg/min (0,1-1,0)], considerando idade/sexo. Em 2,2 anos (média), ocorreram 22 eventos; tanto FEV1/FVC (HR 1,44; IC 95%: 0,97-2,13) quanto ppCVF (HR 1,13; 0,89-1,43) não foram associados ao desfecho. Apenas no subgrupo FEVE ≤50% (n=87, 20 eventos), VEF1/CVF (HR 1,50; 1,01-2,23), mas não ppCVF, foi associado a risco.

Conclusão

Na IC crônica, ppCVF reduzido associou-se a menor PImáx, FEVE, VRes e VO2 pico, mas não distinguiu pior prognóstico em 2,2 anos de acompanhamento. Entretanto, VEF1/CVF associou-se apenas com VRes, e, em participantes com FEVE ≤50%, o VEF1/CVF reduzido mostrou pior prognóstico proporcional. Portanto, VEF1/CVF e ppFVC contribuem para melhor fenotipagem de pacientes com IC.

  • Função ventricular
  • Insuficiência Respiratória
  • Medição de Risco
  • Músculos respiratórios
  • Tolerância ao Exercício
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
07/02/2022 DOI: 10.36660/abc.20201130
Efeitos de um programa de reabilitação da musculatura inspiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca
ABC
Artigo Original

Efeitos de um programa de reabilitação da musculatura inspiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca

Paulo Eduardo Gomes Ferreira et al. Alfredo José Rodrigues Paulo Roberto Barboza Évora

FUNDAMENTO: Os músculos respiratórios são afetados pós operações cardíacas. OBJETIVO: Verificar se o condicionamento pré-operatório dos músculos inspiratórios poderia ajudar a diminuir a disfunção respiratória pós-operatória. MÉTODOS: Trinta voluntários de ambos os sexos com idade mínima de 50 anos, aguardando cirurgia de revascularização do miocárdio e/ou cirurgia de válvula cardíaca foram alocados de forma randômica em dois grupos. Quinze pacientes foram incluídos em um programa domiciliar de pelo menos 2 semanas de treinamento pré-operatório dos músculos inspiratórios usando um dispositivo com uma carga correspondente a 40% da pressão inspiratória máxima. Os outros 15 receberam orientações gerais e não treinaram os músculos inspiratórios. A espirometria, antes e depois do programa de treinamento, bem como a evolução dos gases sanguíneos arteriais e das pressões inspiratória e expiratória máximas, foram avaliados em ambos os grupos antes e depois da cirurgia. Os desfechos clínicos dos dois grupos também foram comparados. RESULTADOS: Observamos que o treinamento dos músculos inspiratórios aumentou a capacidade vital forçada, a ventilação voluntária máxima e a relação entre o volume expirado forçado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada. A evolução dos gases sanguíneos e das pressões expiratória e inspiratória máximas antes e depois da cirurgia foi similar em ambos os grupos, com desfechos também similares. CONCLUSÃO: Concluímos que nosso programa domiciliar de treinamento dos músculos inspiratórios foi seguro e melhorou a capacidade vital forçada e a ventilação voluntária máxima, embora os benefícios clínicos desse programa não tenham sido claramente demonstrados no presente estudo.

  • Cirurgia Torácica
  • Cuidados Pós Operatórios
  • modalidades de fisioterapia
  • Músculos respiratórios
  • Reabilitação
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
23/06/2009 DOI: 10.1590/S0066-782X2009000400005 Visualizações 2

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Ferrari F. Função Pulmonar e Força Muscular Inspiratória na Insuficiência Cardíaca: Elas Podem ser Consideradas Potenciais Marcadores Prognósticos?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2022;118(4):692-3.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Ferrari, Filipe. Função Pulmonar e Força Muscular Inspiratória na Insuficiência Cardíaca: Elas Podem ser Consideradas Potenciais Marcadores Prognósticos?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 118, n. 4, p. 692-693, abr. 2022.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Ferrari, F. (2022). Função Pulmonar e Força Muscular Inspiratória na Insuficiência Cardíaca: Elas Podem ser Consideradas Potenciais Marcadores Prognósticos?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 118(4), 692-693.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Ferrari, Filipe. Função Pulmonar e Força Muscular Inspiratória na Insuficiência Cardíaca: Elas Podem ser Consideradas Potenciais Marcadores Prognósticos?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2022, vol. 118, n. 4, [citado 2026-10-14], pp. 692-693. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/funcao-pulmonar-e-forca-muscular-inspiratoria-na-insuficiencia-cardiaca-elas-podem-ser-consideradas-potenciais-marcadores-prognosticos/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Ramalho SHR, Lima ACGB, Silva FMF, Souza FSJ, Cahalin LP, Cipriano GFB, Cipriano Junior G, et al. Relação da Função Pulmonar e da Força Inspiratória com Capacidade Aeróbica e com Prognóstico na Insuficiência Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2022;118(4):680-91.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Ramalho, Sergio Henrique Rodolpho; Lima, Alexandra Correa Gervazoni Balbuena de; Silva, Fabiola Maria Ferreira da; Souza, Fausto Stauffer Junqueira de; Cahalin, Lawrence Patrick; Cipriano, Graziella França Bernardelli; Cipriano Junior, Gerson. Relação da Função Pulmonar e da Força Inspiratória com Capacidade Aeróbica e com Prognóstico na Insuficiência Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 118, n. 4, p. 680-691, fev. 2022.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Ramalho, S. H. R., Lima, A. C. G. B. , Silva, F. M. F. , Souza, F. S. J. , Cahalin, L. P., Cipriano, G. F. B., & Cipriano Junior, G. (2022). Relação da Função Pulmonar e da Força Inspiratória com Capacidade Aeróbica e com Prognóstico na Insuficiência Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 118(4), 680-691.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Ramalho, Sergio Henrique Rodolpho and Lima, Alexandra Correa Gervazoni Balbuena de and Silva, Fabiola Maria Ferreira da and Souza, Fausto Stauffer Junqueira de and Cahalin, Lawrence Patrick and Cipriano, Graziella França Bernardelli and Cipriano Junior, Gerson. Relação da Função Pulmonar e da Força Inspiratória com Capacidade Aeróbica e com Prognóstico na Insuficiência Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2022, vol. 118, n. 4, [citado 2026-10-14], pp. 680-691. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/relacao-da-funcao-pulmonar-e-da-forca-inspiratoria-com-capacidade-aerobica-e-com-prognostico-na-insuficiencia-cardiaca/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Ferreira PEG, Rodrigues AJ, Évora PRB. Efeitos de um programa de reabilitação da musculatura inspiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2009;92(4):275-82.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Ferreira, Paulo Eduardo Gomes; Rodrigues, Alfredo José; Évora, Paulo Roberto Barboza. Efeitos de um programa de reabilitação da musculatura inspiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 92, n. 4, p. 275-282, jun. 2009.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Ferreira, P. E. G., Rodrigues, A. J., & Évora, P. R. B. (2009). Efeitos de um programa de reabilitação da musculatura inspiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 92(4), 275-282.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Ferreira, Paulo Eduardo Gomes and Rodrigues, Alfredo José and Évora, Paulo Roberto Barboza. Efeitos de um programa de reabilitação da musculatura inspiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2009, vol. 92, n. 4, [citado 2026-10-14], pp. 275-282. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/efeitos-de-um-programa-de-reabilitacao-da-musculatura-inspiratoria-no-pos-operatorio-de-cirurgia-cardiaca/>. ISSN 0066-782X

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