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Implantes Potencialmente Inapropriados de Cardioversor-Desfibrilador na Prevenção Secundária de Morte
ABC
Artigo Original

Implantes Potencialmente Inapropriados de Cardioversor-Desfibrilador na Prevenção Secundária de Morte

William Neves de Carvalho et al. Tainá Teixeira Viana Clara Salles Figueiredo Fernanda Martins Luiz Carlos Santana Passos

Resumo

Fundamento:

Os cardioversores-desfibriladores implantáveis (CDIs) são indicados para pacientes que apresentaram taquiarritmias malignas por causas irreversíveis, clinicamente estáveis e que tenham expectativa de vida maior que um ano. No entanto, condições socioeconômicas e psicossociais desfavoráveis impactam negativamente a sobrevida de curto prazo e podem tornar o implante inapropriado.

Objetivo:

Avaliar se marcadores econômicos e psicossociais (MEPS) estão associados a maior mortalidade no primeiro ano (indicando implantes potencialmente inapropriados) após implante do CDI.

Métodos:

Coorte prospectiva entre 2017 e 2021 incluindo pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) < 50% submetidos a implante de CDI como profilaxia secundária. Antes do procedimento, foram avaliados por uma EMD que investigou quatro variáveis denominadas MEPS: vulnerabilidade socioeconômica, capacidade do autocuidado, adesão farmacológica e transtornos do humor. Os participantes foram acompanhados por no mínimo 12 meses. Foi considerado significância estatística valores-p < 0,05.

Resultados:

Foram incluídos 208 indivíduos, sendo 144 (68,9%) do sexo masculino. A FEVE média foi 32% ±9 e 107 (51%) tinham etiologia chagásica. A mortalidade no primeiro ano foi 54/208 (25,8%). Todos os pacientes que faleceram tinham ao menos um dos MEPS e não houve óbitos entre os 73 (35,4%) que não tinham MEPS. Em análise multivariada ter MEPS e a FEVE foram os únicos preditor independente na mortalidade menor que 1 ano: RR 20,48 (2,75 – 52,29); p=0,003 e RR 0,97 (0,93 – 0,99); p=0,047, respectivamente.

Conclusão:

Condições socioeconômicas e psicossociais devem ser identificadas e quando possível resolvidas antes do implante, pois podem tornar o implante do dispositivo um procedimento potencialmente inapropriado.

  • Adesão à Medicação
  • Cooperação e Adesão ao Tratamento
  • Desfibriladores Implantáveis
  • Equipe de Assistência ao Paciente
  • Vulnerabilidade Social
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11/11/2024 DOI: 10.36660/abc.20220899
ABC
Original Article

Tratamento Multiprofissional da Hipertensão Arterial Sistêmica em Pacientes Muito Idosos

Luciana Muniz Sanches Siqueira Veiga Jardim et al. Thiago Veiga Jardim Weimar Kunz Sebba Barroso de Souza Camila Dutra Pimenta … Ana Luiza Lima Sousa Paulo César Brandão Veiga Jardim

Resumo

Fundamento:

Indivíduos com mais de 80 anos, denominados muito idosos, são encontrados com uma frequência crescente com o envelhecimento da população mundial. Não há estudos com essa população avaliando a intervenção multidisciplinar no tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e algumas comorbidades associadas.

Objetivo:

Avaliar o efeito do tratamento multiprofissional em hipertensos muito idosos acompanhados em serviço especializado.

Métodos:

Estudo de coorte longitudinal retrospectivo em serviço multidisciplinar para o tratamento de HAS do centro-oeste brasileiro. Incluídos pacientes com 80 anos ou mais em junho de 2015. Coletados dados da primeira (V1) e última consulta (Vf). Avaliadas variáveis antropométricas, pressão arterial (PA), função renal, medicamentos em uso, hábitos de vida, comorbidades e eventos cardiovasculares, comparando V1 com Vf. Foram considerados controlados os valores de PA inferiores a 140 mmHg para pressão sistólica e inferiores a 90 mmHg para a pressão diastólica. Análise estatística realizada com software SPSSR versão 21.0. Considerados significativos valores de p<0,05.

Resultados:

Analisados 71 pacientes, com tempo médio de seguimento de 15,22 anos, 26,8% sexo masculino e idade média em V1 de 69,2 anos e, em Vf, de 84,53 anos. Houve uma redução significativa nos valores médios de PA sistólica (157,3 x 142,1 mmHg; p<0,001) e diastólica (95,1 x 77,8 mmHg; p<0,001), com aumento nas taxas de controle da PA entre V1 e Vf (36,6 x 83,1%; p<0,001). O número de drogas anti-hipertensivas se elevou (1,49 x 2,85; p<0,001), com incremento no uso de inibidores de ECA (22,5 x 46,5%; p=0,004), bloqueadores do receptor de angiotensina (4,2 x 35,2%; p<0,001) e bloqueadores dos canais de cálcio (18,3 x 67,6%; p<0,001). Houve uma redução nos valores de colesterol total (217,9 x 191 mg/dl; p<0,001) e LDL colesterol (139,6 x 119,0 mg/dl; p<0,001) e piora da taxa de filtração glomerular (62,5 x 45,4 ml/min; p<0,001).

Conclusão:

A intervenção multiprofissional em pacientes hipertensos muito idosos reduziu os valores de PA e aumentou a taxa de controle da mesma, com uma otimização do tratamento medicamentoso.

  • envelhecimento
  • Equipe de Assistência ao Paciente
  • Estudos de Coortes
  • Hipertensão
  • Idoso de 80 anos ou mais
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
01/01/2017 DOI: 10.5935/abc.20160196 Visualizações 2
ABC
Ponto de Vista

O Heart Team é fundamental para o Tratamento Transcateter da Estenose Aórtica?

Vitor Emer Egypto Rosa et al. Antônio Sergio de Santis Andrade Lopes Tarso Augusto Duenhas Accorsi Pedro Alves Lemos Neto … Pablo Maria Alberto Pomerantzeff Flávio Tarasoutchi

Projeções demográficas indicam que o contingente de idosos no país duplicará nos próximos vinte anos, implicando aumento da prevalência de doenças relacionadas à senilidade, como a Estenose Valvar Aórtica (EAo) degenerativa, diagnosticada em 3% a 5% da população acima dos 75 anos , . Recentemente, houve o desenvolvimento de novas modalidades de tratamento para a EAo, representadas fundamentalmente pelo implante transcateter de prótese aórtica (TAVI – Transcatheter Aortic Valve Implantation), que se tornou opção terapêutica para pacientes cujo tratamento cirúrgico convencional não é exequível. Esse cenário atual, caracterizado pela alta demanda do grupo de adultos idosos em expansão, associada à disponibilização de novos métodos de tratamento, expertise clínica para correto diagnóstico da doença valvar, avaliação das comorbidades e riscos de intervenções, além da racionalização de recursos, tendo ciência da complexidade e dos altos custos envolvidos na difusão da TAVI.

A prática assistencial demonstra que, para uma seleção adequada do melhor método terapêutico para a EAo de alto risco cirúrgico, é imprescindível a interação médica multidisciplinar, contemplando todas as características biopsicossociais desses pacientes. Nesse contexto, diversos centros médicos têm incorporado continuadamente o conceito do Heart Team para tomada de decisão. O Heart Team, grupo composto por diferentes especialistas envolvidos no cuidado dessa valvopatia, agrega opiniões para análise individualizada desses pacientes, desde os critérios de elegibilidade e adequações técnicas do procedimento até os cuidados pós-TAVI. Cada subespecialidade cardiológica também desempenha papéis particulares na realização do procedimento. O cardiologista clínico é responsável pela seleção e indicação dos pacientes e acompanhamento pré e pós-procedimento; o cirurgião cardiovascular, pela realização do procedimento transaórtico e transapical, auxílio no acesso transfemoral, além do tratamento de possíveis complicações; o radiologista, pela avaliação da via de acesso e diâmetros valvares, auxiliando na escolha adequada da prótese; o ecocardiografista, pela caracterização anatomofuncional da valvopatia e avaliação intraoperatório do posicionamento adequado da prótese e das complicações pós-procedimento; e o hemodinamicista, pela indicação e realização do procedimento. Além desses, o Heart Team também é composto por outros profissionais, como enfermagem, fisioterapia, nutricionistas, psicólogos, dentre outros. Mundialmente, há uma crescente incorporação do Heart Team pelos centros cardiológicos, em conformidade com as considerações das últimas diretrizes em doenças valvares , . Os consensos são claros em desaconselhar a realização da TAVI em locais desprovidos de Heart Team, o que reforça a importância do alinhamento institucional às novas recomendações.

[…]

  • Equipe de Assistência ao Paciente
  • Estenose da valva aórtica / cirurgia
  • Insuficiência Cardíaca
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01/05/2014 DOI: 10.5935/abc.20140060

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Carvalho WN, Viana TT, Figueiredo CS, Martins F, Passos LCS. Implantes Potencialmente Inapropriados de Cardioversor-Desfibrilador na Prevenção Secundária de Morte. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2024;121(10):e20220899.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Carvalho, William Neves de; Viana, Tainá Teixeira; Figueiredo, Clara Salles; Martins, Fernanda; Passos, Luiz Carlos Santana. Implantes Potencialmente Inapropriados de Cardioversor-Desfibrilador na Prevenção Secundária de Morte. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 10, e20220899, nov. 2024.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Carvalho, W. N. , Viana, T. T., Figueiredo, C. S., Martins, F., & Passos, L. C. S. (2024). Implantes Potencialmente Inapropriados de Cardioversor-Desfibrilador na Prevenção Secundária de Morte. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 121(10), e20220899.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Carvalho, William Neves de and Viana, Tainá Teixeira and Figueiredo, Clara Salles and Martins, Fernanda and Passos, Luiz Carlos Santana. Implantes Potencialmente Inapropriados de Cardioversor-Desfibrilador na Prevenção Secundária de Morte. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2024, vol. 121, n. 10, [citado 2026-10-14], e20220899. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/implantes-potencialmente-inapropriados-de-cardioversor-desfibrilador-na-prevencao-secundaria-de-morte/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Jardim LMSSV, Jardim TV, Souza WKSB, Pimenta CD, Sousa ALL, Jardim PCBV. Tratamento Multiprofissional da Hipertensão Arterial Sistêmica em Pacientes Muito Idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2017;108(1):53-9.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Jardim, Luciana Muniz Sanches Siqueira Veiga; Jardim, Thiago Veiga; Souza, Weimar Kunz Sebba Barroso de; Pimenta, Camila Dutra; Sousa, Ana Luiza Lima; Jardim, Paulo César Brandão Veiga. Tratamento Multiprofissional da Hipertensão Arterial Sistêmica em Pacientes Muito Idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 108, n. 1, p. 53-59, dez. 2016.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Jardim, L. M. S. S. V., Jardim, T. V., Souza, W. K. S. B. , Pimenta, C. D., Sousa, A. L. L., & Jardim, P. C. B. V. (2017). Tratamento Multiprofissional da Hipertensão Arterial Sistêmica em Pacientes Muito Idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 108(1), 53-59.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Jardim, Luciana Muniz Sanches Siqueira Veiga and Jardim, Thiago Veiga and Souza, Weimar Kunz Sebba Barroso de and Pimenta, Camila Dutra and Sousa, Ana Luiza Lima and Jardim, Paulo César Brandão Veiga. Tratamento Multiprofissional da Hipertensão Arterial Sistêmica em Pacientes Muito Idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2017, vol. 108, n. 1, [citado 2026-10-14], pp. 53-59. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/tratamento-multiprofissional-da-hipertensao-arterial-sistemica-em-pacientes-muito-idosos/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Rosa VEE, Lopes ASSA, Accorsi TAD, Lemos Neto PA, Pomerantzeff PMA, Tarasoutchi F. O Heart Team é fundamental para o Tratamento Transcateter da Estenose Aórtica?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2014;102(5):e55-6.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Rosa, Vitor Emer Egypto; Lopes, Antônio Sergio de Santis Andrade; Accorsi, Tarso Augusto Duenhas; Lemos Neto, Pedro Alves; Pomerantzeff, Pablo Maria Alberto; Tarasoutchi, Flávio. O Heart Team é fundamental para o Tratamento Transcateter da Estenose Aórtica?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 102, n. 5, p. e55-e56, abr. 2014.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Rosa, V. E. E., Lopes, A. S. S. A., Accorsi, T. A. D., Lemos Neto, P. A., Pomerantzeff, P. M. A., & Tarasoutchi, F. (2014). O Heart Team é fundamental para o Tratamento Transcateter da Estenose Aórtica?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 102(5), e55-e56.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Rosa, Vitor Emer Egypto and Lopes, Antônio Sergio de Santis Andrade and Accorsi, Tarso Augusto Duenhas and Lemos Neto, Pedro Alves and Pomerantzeff, Pablo Maria Alberto and Tarasoutchi, Flávio. O Heart Team é fundamental para o Tratamento Transcateter da Estenose Aórtica?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2014, vol. 102, n. 5, [citado 2026-10-14], pp. e55-e56. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/o-heart-team-e-fundamental-para-o-tratamento-transcateter-da-estenose-aortica/>. ISSN 0066-782X

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