O Heart Team é fundamental para o Tratamento Transcateter da Estenose Aórtica?
Projeções demográficas indicam que o contingente de idosos no país duplicará nos próximos vinte anos, implicando aumento da prevalência de doenças relacionadas à senilidade, como a Estenose Valvar Aórtica (EAo) degenerativa, diagnosticada em 3% a 5% da população acima dos 75 anos , . Recentemente, houve o desenvolvimento de novas modalidades de tratamento para a EAo, representadas fundamentalmente pelo implante transcateter de prótese aórtica (TAVI – Transcatheter Aortic Valve Implantation), que se tornou opção terapêutica para pacientes cujo tratamento cirúrgico convencional não é exequível. Esse cenário atual, caracterizado pela alta demanda do grupo de adultos idosos em expansão, associada à disponibilização de novos métodos de tratamento, expertise clínica para correto diagnóstico da doença valvar, avaliação das comorbidades e riscos de intervenções, além da racionalização de recursos, tendo ciência da complexidade e dos altos custos envolvidos na difusão da TAVI.
A prática assistencial demonstra que, para uma seleção adequada do melhor método terapêutico para a EAo de alto risco cirúrgico, é imprescindível a interação médica multidisciplinar, contemplando todas as características biopsicossociais desses pacientes. Nesse contexto, diversos centros médicos têm incorporado continuadamente o conceito do Heart Team para tomada de decisão. O Heart Team, grupo composto por diferentes especialistas envolvidos no cuidado dessa valvopatia, agrega opiniões para análise individualizada desses pacientes, desde os critérios de elegibilidade e adequações técnicas do procedimento até os cuidados pós-TAVI. Cada subespecialidade cardiológica também desempenha papéis particulares na realização do procedimento. O cardiologista clínico é responsável pela seleção e indicação dos pacientes e acompanhamento pré e pós-procedimento; o cirurgião cardiovascular, pela realização do procedimento transaórtico e transapical, auxílio no acesso transfemoral, além do tratamento de possíveis complicações; o radiologista, pela avaliação da via de acesso e diâmetros valvares, auxiliando na escolha adequada da prótese; o ecocardiografista, pela caracterização anatomofuncional da valvopatia e avaliação intraoperatório do posicionamento adequado da prótese e das complicações pós-procedimento; e o hemodinamicista, pela indicação e realização do procedimento. Além desses, o Heart Team também é composto por outros profissionais, como enfermagem, fisioterapia, nutricionistas, psicólogos, dentre outros. Mundialmente, há uma crescente incorporação do Heart Team pelos centros cardiológicos, em conformidade com as considerações das últimas diretrizes em doenças valvares , . Os consensos são claros em desaconselhar a realização da TAVI em locais desprovidos de Heart Team, o que reforça a importância do alinhamento institucional às novas recomendações.
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