Concordância entre Framingham, Pooled Cohort Equations e Globorisk-LAC da estimação do risco cardiovascular no Brasil, 2013
Resumo
Fundamento
Os escores de Framingham e Pooled Cohort Equations (PCE) nunca foram recalibrados para a população brasileira. O Globorisk-LAC foi derivado recentemente com uma metodologia análoga ao PCE, tendo sido recalibrado para os países da América Latina.
Objetivos
Descrever a concordância entre os escores de Framingham, PCE e Globorisk-LAC na estimação do risco cardiovascular em dez anos na população brasileira.
Métodos
Neste estudo de corte transversal, o risco foi estimado pelos três escores para pessoas com idade entre 40–74 anos sem doença cardiovascular, usando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013. A concordância foi estimada como o percentual de casos em que o risco estimado por um escore estava entre 0,8 e 1,25 vezes o risco estimado pelo outro, e como o coeficiente de Gwet (AC1) para o risco estratificado em baixo, intermediário e alto.
Resultados
O estudo incluiu 4.416 pessoas, entre as 8.952 do componente laboratorial da PNS. O risco mediano (intervalo interquartis) foi de 9,2% (5,1 a 17,8) pelo Framingham, 3,6% (1,7 a 8,2) pelo PCE, e 4,7% (2,8 a 8,1) pelo Globorisk-LAC. O risco estimado pelo Framingham concordou com o Globorisk-LAC em 6,4% dos casos e com o PCE em 1,8%; o PCE concordou com o Globorisk-LAC em 34,7%. Considerando a estratificação do risco, o AC1 foi respectivamente 0,454, 0,489 e 0,874.
Conclusões
Os diferentes escores de risco cardiovascular concordam muito pouco entre si. Os motivos para essa discordância fazem do Globorisk-LAC uma ótima opção para suceder o Framingham nas diretrizes brasileiras de dislipidemia.
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