Ponto de Vista

A Mortalidade Ainda Importa nos Estudos Clínicos em Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca (IC) permanece uma das principais causas de mortalidade e de custos em saúde globalmente. No ESC HF III Registry, a mortalidade em um ano após hospitalização variou entre 16% e 22%, enquanto nos EUA alcança 35,2% em pacientes ≥ 65 anos. Ainda assim, apenas 1 em 8 estudos de IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) publicados após 2015 demonstrou redução de morte cardiovascular, em contraste com 13 de 16 estudos pré-2015. Esse desalinhamento impulsionou uma crescente dependência de desfechos alternativos.

Tendo participado da coordenação no Brasil de estudos internacionais em infarto agudo do miocárdio, entre eles ISIS-4, ASSENT-2 e ASSENT-4 PCI,– todos com mortalidade como desfecho central, foi possível acompanhar uma era em que a principal pergunta clínica era se o tratamento reduzia ou não a morte. Este ponto de vista argumenta que a mortalidade permanece o principal desfecho para inferência clínica em IC e não deve ser abandonada no desenho dos estudos contemporâneos.

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