André Luiz Cerqueira de Almeida et al. Edval Gomes dos Santos Júnior Aluísio José de Oliveira Monteiro Neto Thyago Monteiro do Espírito Santo … Paulo André A. Almeida Samuel Oliveira Affonseca Caroline de Souza Almeida Matheus Pamponet Freitas Cecília Lopes Viana Santos Vitória Régia Beserra Barbosa Ximenes Mariana Andrade Falcão Israel Costa Reis Suzane Pereira de Souza Maurício Gomes da Silva Serra Ana Beatriz Menezes de Oliveira Tayla Silva Santos Nilson Lima Lopes Marcelo Dantas Tavares de Melo
Resumo
Fundamento:
A combinação de doxorrubicina com paclitaxel é eficaz no tratamento do câncer de mama. No entanto, a cardiotoxidade associada à doxorrubicina é agravada pelo uso do paclitaxel. Não há consenso sobre qual sequência é mais segura.
Objetivos:
Avaliar qual sequência tem maior potencial cardiotóxico no tratamento do câncer de mama: doxorrubicina seguida de paclitaxel ou o inverso.
Métodos:
Estudo prospectivo de mulheres com câncer de mama primário. Todos os participantes receberam quatro ciclos de doxorrubicina e 12 infusões de paclitaxel. Os participantes foram divididos em dois grupos, a critério do oncologista: Grupo 1, que recebeu paclitaxel antes da doxorrubicina, e Grupo 2, que teve doxorrubicina antes do paclitaxel. Definiu-se cardiotoxicidade como uma redução absoluta na fração de ejeção ventricular esquerda >10% para <53%. Os pacientes foram submetidos a avaliação clínica e ecocardiografia antes do tratamento (fase 1) e 1 ano após o tratamento (fase 2).
Resultados:
Foram avaliadas 69 mulheres: 19 no Grupo 1 e 50 no Grupo 2. Os grupos apresentavam características clínicas semelhantes. As doses de radiação, doxorrubicina e paclitaxel utilizadas foram semelhantes. Oito (11,6%) pacientes desenvolveram cardiotoxicidade: dois (10,5%) no Grupo 1 e seis (12,0%) no Grupo 2 (p=0,62). A fração de ejeção ventricular esquerda se mostrou semelhante entre os grupos da fase 1 (Grupo 1 = 65,1±3,5; Grupo 2=65,2±3,9; p=0,96), com redução significativa após 1 ano em ambos os grupos: Grupo 1 = 61,4±8,1% (p=0,021) e Grupo 2 = 60,8±7,6% (p<0,001). Embora menor, a fração de ejeção ventricular esquerda permaneceu semelhante entre os grupos após a Fase 2 (p=0,79).
Conclusão:
Nas mulheres com câncer de mama submetidas à quimioterapia, a incidência de cardiotoxicidade ao final do primeiro ano de tratamento foi semelhante, independentemente do uso de doxorrubicina antes ou após o paclitaxel.