Juliana Hiromi Silva Matsumoto Bello et al. Lea M.M.F. Demarchi Rafael Almeida Fonseca Gabriele N. Lima … Lucas José Tachotti Pires Vitor E. E. Rosa Roney Orismar Sampaio Paulo S. Gutierrez Vera D. Aiello Flávio Tarasoutchi Carlos E. Rochitte
Resumo
Fundamento:
A valvopatia aórtica pode levar ao acúmulo de fibrose miocárdica (FM). A ressonância magnética cardíaca (RMC) com realce tardio (RT) avalia a fibrose regional, mas não detecta a fibrose intersticial, que pode ser estimada pelo volume extracelular (VEC) utilizando T1 nativo (pré-contraste) e pós-contraste.
Objetivos:
Comparar a FM medida pela fração de volume de colágeno (FVC) em biópsia miocárdica com RT e VEC em pacientes com valvopatia aórtica de grau importante.
Métodos:
Um total de 108 pacientes submetidos à troca valvar aórtica com biópsia miocárdica e RMC pré-operatória foi incluído. RT e VEC foram comparados com FVC por meio dos coeficientes de correlação de Pearson ou Spearman, análise de desempenho diagnóstico e testes de concordância. A significância estatística foi estabelecida em p < 0,05.
Resultados:
Aumento da FVC foi observado em 96% dos pacientes (21,9 ± 5,5%), RT em 44% (1,3 ± 3%) e aumento do VEC em 33,3% (29,0 ± 4,0%). Correlações moderadas foram encontradas entre RT e FVC e entre VEC e FVC (r = 0,44 e r = 0,36, respectivamente; p = 0,001). RT e VEC demonstraram sensibilidades de 64,8% e 40,7%, especificidades de 77,8% e 74,1% e acurácias de 71% e 57%, respectivamente, utilizando FVC acima da mediana como referência para FM. A concordância entre FVC e VEC revelou uma diferença média de −0,167 e um valor de kappa de Cohen de 0,171.
Conclusões:
A RMC detecta FM em pacientes com valvopatia aórtica de grau importante confirmada por biópsia. RT e VEC apresentam correlação moderada com a FVC. A análise combinada de RT e VEC pode fornecer informações complementares; no entanto, estudos adicionais são necessários para determinar seu impacto prognóstico.