Artigo Original

Variação Geográfica no Tempo Porta-Agulha em Pacientes com IAMCSST da Região Metropolitana do Rio de Janeiro: Resultados da Coorte EQUITY-MI

Resumo

Fundamento

Existe uma lacuna de informações sobre as estratégias de reperfusão utilizadas e a evolução dos pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnível de segmento ST (IAMCSST) no estado do Rio de Janeiro.

Objetivo

Avaliar o tempo de trombólise nas diversas regiões da capital e região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, além do desfecho de insuficiência cardíaca pós-infarto.

Método

O EQUITY-MI é um estudo de coorte prospectivo de pacientes diagnosticados com IAMCSST e referenciados para um único centro de reperfusão. As variáveis contínuas foram analisadas pelo teste de Kruskal–Wallis e as categóricas pelo qui-quadrado. Para estimar o efeito do tempo porta-agulha (TPA) foram aplicados os modelos de regressão linear generalizado com distribuição gamma e função de ligação log, além da regressão quantílica para estimar o efeito nos quantis 25%, 50% e 75%, ambos ajustados para sexo, idade, raça e escolaridade. O nível de significância utilizado foi de 0,05.

Resultados

Foram incluídos 457 pacientes, com média de idade de 60,4 anos. Destes, 79% receberam trombólise, com mediana de TPA de 77 minutos, e 20,9% foram trombolisados em até 30 minutos, sem diferença estatística entre as regiões (p = 0,23). A região da Baixada Fluminense apresentou maior média ajustada de TPA (165,9 minutos), com diferença de tempo para as Zona Norte (0,61; 0,44 a 0,87; p = 0,003) e Zona Oeste (0,69; 0,51 a 0,96; p = 0,022). Também apresentou maior TPA em todos os intervalos (Q25, Q50, Q75). Após o infarto, 63,5% dos pacientes apresentaram insuficiência cardíaca.

Conclusões

Os pacientes do EQUITY-MI apresentaram um atraso global no TPA, com pior desempenho sistemático na Baixada Fluminense, além de uma alta incidência de insuficiência cardíaca pós-infarto.

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