Para Além da Tradução: Construindo uma Aliança Lusófona para a Saúde Cardiovascular
A ciência da prevenção cardiovascular chegou a um platô de implementação. Apesar de um extenso arsenal de intervenções eficazes, incluindo farmacoterapia anti-hipertensiva, agentes hipolipemiantes, controle do tabagismo e redução de riscos a nível populacional, a carga global das doenças não comunicáveis (DNC) continua a aumentar, particularmente nos países de baixa e média renda. Mas a falha não está nas descobertas, e sim na implementação. O modelo predominante de geração de evidência em saúde cardiovascular, amplamente produzido, debatido e disseminado nos sistemas de alta renda e intensivos em pesquisa, tem enfrentado dificuldade em ganhar tração no contexto de outros sistemas de saúde para os quais as DNC são a principal causa de morbidade e mortalidade.
Intervenções validadas em ambientes com ampla disponibilidade de recursos e altamente especializados serão muitas vezes implementadas, se é que chegam a sê-lo, em sistemas que enfrentam escassez de força de trabalho, linhas de cuidado fragmentadas, e financiamento restrito, além de apresentarem diferentes perfis epidemiológicos. Como resultado, uma evidência robusta em princípio pode revelar-se frágil na prática. A superação dessa lacuna requer não apenas tradução linguística, mas também de sistemas.
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