Da Artéria Coronária ao Rim: Redefinindo os Objetivos da Intervenção Coronária Percutânea Otimizada por Imagem Intracoronária
A nefropatia associada ao contraste tem sido tratada há muito tempo como uma situação aceitável na cardiologia intervencionista — uma complicação reconhecida, mas raramente priorizada. Por décadas, a área conviveu com a realidade incômoda de que um procedimento cardíaco tecnicamente impecável pode deixar o paciente com uma função mensuravelmente pior em outro órgão — o rim — às vezes de forma permanente. Atualmente, com o diabetes, a hipertensão e a doença renal crônica (DRC) atingindo níveis “pandêmicos”, essa resignação não é mais defensável. O determinante modificável mais direto dessa lesão — o volume de contraste — agora pode ser controlado, e o ultrassom intravascular (IVUS) está no centro dessa solução.
A utilização do IVUS em intervenções coronárias complexas está bem estabelecida. Ele redefine a forma como dimensionamos stents, avaliamos a expansão e identificamos subexpansão, má aposição, dissecções de borda e carga residual de placa. Mas seu valor vai além dos aspectos técnicos da complexidade da lesão: nas mãos certas e com intenção deliberada, o IVUS transforma o mesmo procedimento em um procedimento substancialmente mais conservador para os rins. A ferramenta que otimiza a angioplastia coronária pode, simultaneamente, proteger os rins — desde que optemos por utilizá-la dessa forma.
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