Além da Complexidade da Lesão: Precisamos de um Novo Escore Para Oclusões Coronárias Crônicas?
O escore HALP (Hemoglobina, Albumina, Linfócitos e Plaquetas) é um índice que combina parâmetros laboratoriais facilmente disponíveis e reflete o estado inflamatório e nutricional de um indivíduo. Tradicionalmente utilizado em doenças oncológicas e inflamatórias, recentemente emergiu como um marcador prognóstico em diversas condições cardiovasculares, incluindo síndromes coronárias agudas, insuficiência cardíaca e fibrilação atrial não valvar. Valores de HALP mais baixos têm sido associados a um estado pró-inflamatório, homeostase hematológica prejudicada e pior estado nutricional.
Esses fatores podem afetar negativamente os processos de remodelação vascular, levando à angiogênese patológica. Nesse contexto, Akkaya e Öztürk analisaram retrospectivamente 269 pacientes com oclusões coronárias crônicas identificada por angiografia coronária e demonstraram que o escore HALP apresentou excelente desempenho discriminatório para a detecção de circulação colateral bem desenvolvida. Conforme relatado nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, o escore HALP foi significativamente maior em pacientes com circulação colateral proeminente em comparação com aqueles com colaterais pouco desenvolvidas (75,5 ± 13,9 vs. 35,1 ± 11,3; p < 0,001) e foi um preditor independente desse achado angiográfico (OR: 0,88; IC 95%: 0,83–0,93; p < 0,001). A análise da curva ROC (Receiver Operating Characteristic) demonstrou uma AUC de 0,958 (IC 95%: 0,93–0,98), com um valor de corte >49,08, resultando em uma sensibilidade de 91,3% e uma especificidade de 90,8%. Em um estudo semelhante, Süleymanoğlu et al. avaliaram retrospectivamente 240 pacientes com oclusão coronária crônica e confirmaram que o escore HALP estava positivamente associado à qualidade da circulação colateral, avaliada pela classificação de Werner, permanecendo um forte preditor independente na análise multivariável.
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