Davyson Gerhardt de Souza et al. Vanessa do Amaral Tinoco Ligia Cordeiro Matos Faial Humberto Villacorta
Resumo
O presente relato ilustra um caso de miocardite aguda em uma paciente que havia sido recentemente hospitalizada por COVID-19. A suspeita de miocardite foi feita pela presença de taquicardia, a única alteração presente no exame físico, além de níveis elevados de peptídeo natriurético tipo B. O diagnóstico foi confirmado por ressonância magnética cardíaca, que mostrou a presença de realce tardio, predominantemente subepicárdico, nas paredes inferolateral e inferior do ventrículo esquerdo. A paciente não preenchia nenhum dos critérios para biópsia endomiocárdica (insuficiência cardíaca progressiva, disfunção cardíaca grave, arritmias ventriculares, bloqueios atrioventriculares). Portanto, o tratamento foi focado no controle da frequência cardíaca. O betabloqueador é a primeira opção para controle da frequência, mas a paciente tinha contraindicação. Assim, foi utilizada a ivabradina, um redutor seletivo da frequência cardíaca. Este medicamento tem sido pouco estudado no contexto das síndromes pós-COVID-19, e o presente caso sugere benefício no controle da frequência cardíaca em pacientes com síndrome de taquicardia pós-COVID-19.