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Editorial

Um Novo Preditor de Risco no Infarto Agudo do Miocárdio. Ainda tem Lugar para Mais Um?

Dalton Bertolim Précoma

A cardiologia é uma das especialidades que tradicionalmente utiliza a evidência científica na prática diária, tanto na estratificação de risco como no diagnóstico, na terapêutica e no prognóstico. Um dos temas mais discutidos neste sentido, é a aterosclerose e a inflamação, despertando um grande interesse pelo contínuo conhecimento adquirido ao longo dos últimos dois séculos. Vários autores se destacam neste contexto histórico, por exemplo, Rudolf Virchow no século 19 que descreveu a associação da aterosclerose com a inflamação; Marchand em 1904 que sugeriu a relação entre a aterosclerose e o processo de obstrução das artérias e em 1908, Ignatowski, que observou a relação entre o colesterol da dieta e a aterosclerose. Ao longo destes últimos 100 anos, uma série de artigos elucidaram a sequência fisiopatogênica que hoje conhecemos. O entendimento da formação e a evolução da placa aterosclerótica, através de complexos mecanismos moleculares e da imunidade inata e adaptativa, que culminam com o infarto agudo do miocárdio (IAM) estão bem estabelecidos.– Em 1974, Friedman GD et al., descreveram o papel da contagem dos leucócitos no prognóstico do IAM, e na sequência, outros estudos destacaram a importância destas células no processo de deterioração e recuperação do miocárdio infartado.– Nesta mesma linha de investigação, Coste MER et al., investigaram as citocinas em pacientes com infarto do miocárdio com supra de ST (IAMCSST) e a relação com a função ventricular. Observaram um balanço das citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias, exceto da IL-6, sugerindo um risco inflamatório residual.

Além destes aspectos relacionados com a placa aterosclerótica e a atividade inflamatória no IAM, outro processo relacionado com estas células chamadas imuno-inflamatórias, como as plaquetas, os leucócitos, os neutrófilos e os linfócitos, ganharam destaque inicialmente na área da oncologia, ao ser descritos como um marcador prognóstico confiável na progressão de vários tumores malignos, pelo chamado “índice de imuno-inflamação sistêmica” (IIIS). A revisão sistemática e metanálise de Zhong et al., ressalta a importância deste índice na predição de sobrevida, sendo que elevadas taxas foram associadas a um pior prognóstico em tumores sólidos. Além das neoplasias, outros fatores alteram a IIIS, tais como a idade, obesidade, diabete tipo 2, estresse emocional, esteroides exógenos, hormônios sexuais endógenos, distúrbios hematológicos, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar e trauma.

[…]

  • Aterosclerose
  • Colesterol
  • Doenças Cardiovasculares
  • Fatores de risco
  • Infarto do Miocárdio/complicações
  • Mediadores da Inflamação
  • Placa Aterosclerótica
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
11/07/2022 DOI: 10.36660/abc.20220367

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Précoma DB. Um Novo Preditor de Risco no Infarto Agudo do Miocárdio. Ainda tem Lugar para Mais Um?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2022;119(1):23-4.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Précoma, Dalton Bertolim. Um Novo Preditor de Risco no Infarto Agudo do Miocárdio. Ainda tem Lugar para Mais Um?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 119, n. 1, p. 23-24, jul. 2022.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Précoma, D. B. (2022). Um Novo Preditor de Risco no Infarto Agudo do Miocárdio. Ainda tem Lugar para Mais Um?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 119(1), 23-24.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Précoma, Dalton Bertolim. Um Novo Preditor de Risco no Infarto Agudo do Miocárdio. Ainda tem Lugar para Mais Um?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2022, vol. 119, n. 1, [citado 2026-10-14], pp. 23-24. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/um-novo-preditor-de-risco-no-infarto-agudo-do-miocardio-ainda-tem-lugar-para-mais-um/>. ISSN 0066-782X

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