Jaqueline Fabiano Palazzo et al. Diego Augusto Medeiros Santos Bruno Adler Maccagnan Pinheiro Besen Caio Sambo … Gabriel Fialkovitz da Costa Leite Samuel Terra Gallafrio Danielle Menosi Gualandro Lani Paola Bonilla Cuello Marcus Vinicius Barbosa Santos Tania Mara Varejão Strabelli Pablo Maria Alberto Pomerantzeff Fabio Biscegli Jatene Rinaldo Siciliano
Resumo
Fundamentos
Embora as infecções do sítio cirúrgico (ISCs) esternal após cirurgias cardíacas sejam uma importante complicação, os preditores de falha terapêutica são pouco estudados.
Objetivos
Avaliar preditores clínicos e microbiológicos de falha terapêutica de ISC esternal.
Métodos
Pacientes que apresentaram uma ISC esternal foram retrospectivamente analisados. Foram avaliados dados relacionados a características demográficas, achados clínicos, achados laboratoriais e radiológicos iniciais e tratamento da ISC índice. O desfecho primário foi falha terapêutica, incluindo relapso da infecção (ISC esternal clínica após conclusão do tratamento) ou persistência da infecção (falha no tratamento ambulatorial com antimicrobiano). A microbiologia foi avaliada na infecção índice e no desfecho. Valores de p < 0,05 foram considerados estatisticamente significativos.
Resultados
Entre os 489 pacientes incluídos, a idade média foi 58 anos, 265 (55%) eram do sexo feminino, 185 (38%) apresentaram diabetes mellitus. A prevalência da falha terapêutica foi 14% (67), ocorrendo em um tempo mediano de 174 (±41) dias após a cirurgia cardíaca índice. As causas mais comuns foram cocos gram-positivos e Klebsiella pneumoniae. Nenhum dos achados laboratoriais ou tomográficos torácicos apresentados durante a ISC esternal índice esteve relacionado ao desfecho. Após a análise multivariada, Staphylococcus aureus, Bacilos Gram-Negativos (BGN) resistentes a carbapenêmicos (GNB), fungos, diabetes mellitus e mediastinite /osteomielite foram preditores positivos de falha terapêutica.
Conclusões
BGN resistentes a carbapenêmicos, fungos e S. aureus emergentes foram associados a um maior risco de falha terapêutica na ISC esternal. Além disso, DM e infecções profundas de lesões esternais foram fatores contribuintes. Suas implicações clínicas e o papel exato dos microrganismos multirresistentes requerem mais estudos.