Isabelle Bolfe et al. Rafaela Kaucz Mendez Ribeiro Caroline Prager João Vitor Bolfe Ana Karyn Ehrenfried de Freitas
Resumo
Fundamento:
Estudos sobre os inibidores do cotransportador de Sódio-Glicose tipo 2 (iSGLT2) no tratamento da insuficiência cardíaca (IC) investigam seu potencial como alternativa terapêutica para o manejo da congestão e sua influência na eficácia diurética na IC aguda descompensada.
Objetivos:
Analisar o impacto da introdução de iSGLT2 em pacientes com IC com ênfase na hipótese de potencial redução do uso ambulatorial de furosemida ao longo do tempo, bem como as alterações concomitantes da função renal e dos sinais clínicos de congestão.
Métodos:
Estudo retrospectivo de 85 pacientes com IC avançada em acompanhamento ambulatorial entre janeiro de 2022 e julho de 2025, que incluiu aqueles que estavam em uso de furosemida no momento da prescrição do iSGLT2 e excluiu os que não apresentavam consultas de seguimento. Realizada análise comparativa de doses de furosemida, sinais de congestão e alteração na função renal em 4 atendimentos subsequentes.
Resultados:
Amostra predominantemente masculina (56,5), com alta prevalência de IC com fração de ejeção reduzida (82,4%). Após a introdução de iSGLT2 o resultado evidenciou redução do ingurgitamento jugular e do edema de membros inferiores às custas de elevação dos valores de creatinina e da dose média de furosemida, de 59,66 ± 4,87 mg para 79,05 ± 7,28mg (p=0,003).
Conclusão:
Após a introdução dos iSGLT2, observou-se aumento da dose média de furosemida. Esse achado foi associado a elevação da creatinina, apesar de discreta melhora dos sinais clínicos de congestão, o que destaca o cenário dinâmico analisado com necessidade de estudos prospectivos com seguimento em diferentes estágios da IC.