Marciane Maria Rover et al. Aline Coletto Jaccottet Diether Villegas Calle Roberto Tofani Sant´Anna
Insuficiência cardíaca: congestão e diureticoterapia
A congestão é um componente central da fisiopatogenia da insuficiência cardíaca (IC), sendo causa de parte dos sintomas cardinais da doença como edema, ortopneia e dispneia aos esforços. O manejo da congestão, portanto, é de extrema importância para o tratamento bem-sucedido da IC. Esse manejo tem por base a prescrição de diuréticos de alça, indicados em pacientes sintomáticos conforme diferentes diretrizes, mesmo na ausência de estudos controlados por placebo que demonstrem impacto na redução da mortalidade e que respaldem sua utilização. , Quando administrados isoladamente ou em combinação com outras drogas, os diuréticos melhoram a capacidade funcional dos pacientes e escores de qualidade de vida por provocar redução da pré-carga e redução das pressões de enchimento ventricular e da regurgitação mitral, resultando em aumento no débito cardíaco.
É fundamental a avaliação da congestão na otimização dos diuréticos. Nesse contexto, devemos considerar a baixa acurácia de sinais clínicos de congestão, especialmente quando utilizados isoladamente. Por outro lado, a avaliação concomitante de vários fatores – incluindo classe funcional pela New York Heart Association (NYHA), presença de ortopneia ou dispneia paroxística noturna (DPN), edema, estertores pulmonares, presença de terceira bulha, refluxo hepatojugular e turgência jugular – pode identificar pacientes de maior risco quando agrupados por meio de escores de congestão. Exames complementares aumentam o valor preditivo e contribuem na tomada de decisão. Os mais utilizados são a dosagem sérica de peptídeos natriuréticos e exames de imagem como radiografia de tórax, ultrassonografia pulmonar e ecocardiograma. Eles podem ser considerados antes da suspensão de diurético e para acompanhamento da volemia, especialmente nos casos duvidosos.
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