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ABC
Editorial

Descelularização de Pericárdio Humano com Potencial Aplicação em Medicina Regenerativa

Estela de Oliveira Lima et al. Adriana Camargo Ferrasi Andreas Kaasi

A medicina regenerativa é um ramo interdisciplinar dentro das ciências biomédicas que vem apresentando, a partir da transposição da pesquisa básica para a clínica médica, grande potencial para aplicação terapêutica, tornando-a uma importante representante da medicina translacional. A essência da medicina regenerativa consiste no reparo ou reposição de tecidos e órgãos em que haja deficiência estrutural e funcional. Visando alcançar esse objetivo, várias abordagens vêm sendo propostas, abrangendo terapias que incluem genes, células, arcabouços (scaffolds) biológicos e sintéticos, podendo ou não estar associados em uma mesma estratégia de engenharia tecidual. Quando se trata de utilizar scaffolds sintéticos, é possível manipular e controlar suas propriedades estruturais e mecânicas, entretanto, não é possível garantir a mesma capacidade funcional que um tecido natural. Além disso, um dos grandes desafios é minimizar o risco de reações imunogênicas provocadas pela composição do arcabouço de reparo. Diante dos desafios associados ao restabelecimento funcional e estrutural do microambiente celular, o interesse em scaffolds baseados em matriz extracelular (MEC) natural tem crescido consideravelmente.

Visando a obtenção de um biomaterial que se assemelhe de maneira mais fidedigna ao tecido ou órgão danificado, tanto estrutural quanto funcionalmente, mas também apresente segurança do ponto de vista imunológico, uma nova tecnologia para aplicações clínicas da MEC natural tem sido proposta – a descelularização de tecidos e órgãos de doadores humanos ou animais. Esta tecnologia consiste em utilizar métodos físicos, químicos e/ou bioquímicos para eliminar as células do tecido/órgão alvo, sejam de origem xenogênica ou alogênica, cujos antígenos representam elevado risco de reação imunogênica. Tal processo visa a segurança imunológica e a preservação dos componentes estruturais e funcionais básicos da MEC, como proteínas, colágeno e glicosaminoglicanos (GAGs). Como produto final obtém-se um scaffold tridimensional da MEC de forma análoga ao tecido de origem, com arquitetura ultraestrutural natural preservada e com maior biocompatibilidade e potencial de regeneração tecidual quando comparada a scaffolds sintéticos.

[…]

  • Células
  • Materiais Biocompatíveis
  • Medicina Regenerativa
  • Pericárdio
  • Pesquisa Médica Translacional
  • Tecidos Suporte
  • Valvas Cardíacas/cirurgia
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
08/08/2019 DOI: 10.5935/abc.20190130
Melhora sintomática e da capacidade de exercício após o transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea em pacientes com cardiopatia isquêmica grave, sustentada até o sexto mês de evolução
ABC
Artigo Original

Melhora sintomática e da capacidade de exercício após o transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea em pacientes com cardiopatia isquêmica grave, sustentada até o sexto mês de evolução

Hans Fernando R. Dohmann et al. Emerson C. Perin Radovan Borojevic Suzana A. Silva … Andre L. S. Souza Guilherme V. Silva João A. R. Assad Maria I. D. Rossi Claudio T. Mesquita Hans J. Dohmann

OBJETIVO: Este estudo tem por objetivo avaliar os efeitos, no seguimento de 6 meses, do transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea (TACMMO), sobre os sintomas, capacidade de exercício, perfusão e contratilidade miocárdica nos portadores de cardiopatia isquêmica grave. MÉTODOS: Vinte e um pacientes foram incluídos neste estudo prospectivo (os 14 primeiros pacientes, grupo tratado; os 7 últimos pacientes, grupo controle). Inicialmente todos os indivíduos foram submetidos à avaliação clínica e laboratorial, teste ergométrico, ecocardiograma, cintilografia miocárdica e Holter de 24 horas. As CMMO foram isoladas, lavadas e diluídas em salina 0,9% para injeção transendocárdica em áreas de miocárdio viável no grupo tratado, (15 injeções de 0,2 ml). Todos os pacientes foram reavaliados ao final de 2 e 6 meses de acompanhamento. RESULTADOS: Os dados demográficos e demais características não diferiram significativamente entre os grupos na avaliação inicial. Não foram observados eventos adversos maiores relacionados ao TACMMO. Ao final de 6 meses, houve redução da área isquêmica na imagem de perfusão nuclear (p=0,05) e melhora significativa dos sintomas, da capacidade funcional e da função global do ventrículo esquerdo. CONCLUSÃO: Este estudo demonstra a segurança da realização de injeções transendocárdicas de CMMO em humanos com cardiopatia isquêmica associada a grave disfunção ventricular. Os efeitos observados em curto prazo foram mantidos até 6 meses de acompanhamento.

  • Células
  • Insuficiência Cardíaca
  • Isquemia
  • revascularização
  • terapia gênica
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
24/05/2005 DOI: 10.1590/S0066-782X2005000500002 Visualizações 1

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Lima EO, Ferrasi AC, Kaasi A. Descelularização de Pericárdio Humano com Potencial Aplicação em Medicina Regenerativa. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2019;113(1):18-9.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Lima, Estela de Oliveira; Ferrasi, Adriana Camargo; Kaasi, Andreas. Descelularização de Pericárdio Humano com Potencial Aplicação em Medicina Regenerativa. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 113, n. 1, p. 18-19, ago. 2019.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Lima, E. O., Ferrasi, A. C., & Kaasi, A. (2019). Descelularização de Pericárdio Humano com Potencial Aplicação em Medicina Regenerativa. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 113(1), 18-19.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Lima, Estela de Oliveira and Ferrasi, Adriana Camargo and Kaasi, Andreas. Descelularização de Pericárdio Humano com Potencial Aplicação em Medicina Regenerativa. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2019, vol. 113, n. 1, [citado 2026-10-14], pp. 18-19. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/descelularizacao-de-pericardio-humano-com-potencial-aplicacao-em-medicina-regenerativa/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Dohmann HFR, Perin EC, Borojevic R, Silva SA, Souza ALS, Silva GV, Assad JAR, et al. Melhora sintomática e da capacidade de exercício após o transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea em pacientes com cardiopatia isquêmica grave, sustentada até o sexto mês de evolução. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2005;84(5):360-6.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Dohmann, Hans Fernando R.; Perin, Emerson C.; Borojevic, Radovan; Silva, Suzana A.; Souza, Andre L. S.; Silva, Guilherme V.; Assad, João A. R.; Rossi, Maria I. D.; Mesquita, Claudio T.; Dohmann, Hans J.. Melhora sintomática e da capacidade de exercício após o transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea em pacientes com cardiopatia isquêmica grave, sustentada até o sexto mês de evolução. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 84, n. 5, p. 360-366, maio. 2005.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Dohmann, H. F. R., Perin, E. C., Borojevic, R., Silva, S. A., Souza, A. L. S., Silva, G. V., Assad, J. A. R., Rossi, M. I. D., Mesquita, C. T., & Dohmann, H. J. (2005). Melhora sintomática e da capacidade de exercício após o transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea em pacientes com cardiopatia isquêmica grave, sustentada até o sexto mês de evolução. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 84(5), 360-366.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Dohmann, Hans Fernando R. and Perin, Emerson C. and Borojevic, Radovan and Silva, Suzana A. and Souza, Andre L. S. and Silva, Guilherme V. and Assad, João A. R. and Rossi, Maria I. D. and Mesquita, Claudio T. and Dohmann, Hans J.. Melhora sintomática e da capacidade de exercício após o transplante autólogo, transendocárdico, de células mononucleares da medula óssea em pacientes com cardiopatia isquêmica grave, sustentada até o sexto mês de evolução. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2005, vol. 84, n. 5, [citado 2026-10-14], pp. 360-366. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/melhora-sintomatica-e-da-capacidade-de-exercicio-apos-o-transplante-autologo-transendocardico-de-celulas-mononucleares-da-medula-ossea-em-pacientes-com-cardiopatia-isquemica-grave-sustentada-ate-o/>. ISSN 0066-782X

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