Digoxina na Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida: Proposta de um Guia Prático Baseado em Medicina de Precisão
Introdução: O paradoxo do digital
Digoxina ocupa uma posição singular na história da medicina cardiovascular. Apesar de ser o fármaco mais antigo em uso contínuo para o tratamento da insuficiência cardíaca (IC), sua prescrição sofreu um declínio acentuado nas últimas duas décadas. Ofuscada pelo advento de terapias modificadoras de doença e estigmatizada pelo receio de toxicidade, a digoxina foi relegada a uma recomendação Classe IIa na diretriz brasileira e recomendação de terceira linha (Classe IIb) nas principais diretrizes internacionais.,
Contudo, a exclusão sistemática da digoxina pode representar um erro histórico fundamentado em interpretações incompletas de dados antigos. Em um cenário onde a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) ainda impõe elevada morbimortalidade e sintomas residuais apesar da terapia otimizada, a premissa deste ponto de vista é assertiva: a digoxina não é obsoleta; o que se tornou obsoleto foi o modelo de prescrição empírica de dose fixa. À luz das evidências contemporâneas, propomos um resgate do digital guiado pela medicina de precisão.
[…]
Os comentários são moderados pela equipe editorial antes da publicação. As discussões devem ser baseadas em evidências e utilizar linguagem científica. Conflitos de interesse devem ser declarados.