Artigo Original

Eficácia da Reabilitação Cardiopulmonar na Função Cardiorrespiratória de Pacientes com Síndrome Pós-Covid

Resumo

Fundamento

A síndrome pós-covid (SPC) corresponde a sequelas persistentes após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2, afetando aproximadamente 5%-20% dos indivíduos acometidos.

Objetivo

Avaliar limitações de capacidade funcional em pacientes com SPC por meio do teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) e quantificar os efeitos de um programa estruturado de reabilitação cardiorrespiratória (RC).

Métodos

Estudo observacional prospectivo envolvendo 67 pacientes ambulatoriais com SPC que realizaram TCPE antes e após participação em um programa supervisionado de RC. Na avaliação inicial, observaram-se reduções importantes na capacidade funcional: VO2pico diminuído (19,47 ± 7,86 mL/kg/min), pulso de O2 reduzido (10,65 ± 3,11 mL/batimento), aumento da inclinação VE/VCO2 (31,26 ± 7,98) e ventilação prejudicada (VE = 57,83 ± 17,37%). A maioria dos participantes não atingiu o limiar anaeróbio (LA) ou o alcançou precocemente, embora a razão VO2/carga permanecesse dentro da normalidade.

Resultados

Após intervenção em RC com duração mediana de 45 dias, foram observadas melhorias significativas: redução de 8,88% na frequência cardíaca de repouso (p < 0,0001), aumento de 30,46% na ventilação-minuto (p < 0,0001), elevação de 18,85% no VO2pico (p < 0,0001) e incremento de 26,82% na carga de pico (p < 0,0001). Além disso, 95% dos pacientes atingiram o LA após a RC, com atraso de 16,21% em seu aparecimento (p < 0,0001). A inclinação VE/VCO2 apresentou redução modesta, porém significativa, de 4,03% (p = 0.0443).

Conclusões

A RC baseada em exercício promoveu melhora substancial da capacidade funcional em pacientes com SPC, evidenciada pelo aumento do VO2pico, do pulso de O2 e da eficiência ventilatória. Apesar dos benefícios observados, os mecanismos fisiopatológicos subjacentes à SPC permanecem parcialmente compreendidos.

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