Artigo de Revisão

Teste Cardiopulmonar na Insuficiência Cardíaca: Atualizando a Teoria para a Prática Clínica

Resumo

O teste cardiopulmonar de exercício (TCP) é uma das ferramentas centrais na avaliação funcional da insuficiência cardíaca (IC), integrando respostas cardiovasculares, ventilatórias e metabólicas em um único exame. À luz das evidências publicadas entre 2023 e 2025, seu papel diagnóstico e prognóstico foi ampliado, incorporando fundamentos fisiopatológicos mais refinados, parâmetros submáximos e critérios atualizados para transplante cardíaco segundo a ISHLT 2024. Nesta revisão narrativa, baseada em estudos indexados no PubMed, consensos internacionais e análises contemporâneas, são abordados os principais mecanismos de limitação ao exercício na IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) e preservada (ICFEP), bem como a relevância clínica das variáveis-chave do TCP, incluindo VO2 pico, inclinação VE/VCO2, OUES, pulso de O2, resposta cronotrópica e cinética de recuperação do VO2.

O conjunto das evidências confirma que o TCP é a ferramenta mais abrangente para caracterizar limitação cardiocirculatória, ventilatória e periférica, mantendo o VO2 pico reduzido e a inclinação VE/VCO2 elevada como os marcadores prognósticos mais robustos, inclusive em testes submáximos. Estudos recentes demonstram ainda que terapias emergentes — como inibidores de SGLT2, ARNI e agonistas de GLP-1 — promovem benefícios funcionais detectáveis pelo TCP antes de alterações estruturais cardíacas, destacando seu papel como monitor de resposta terapêutica. Adicionalmente, o TCP permanece fundamental na estratificação de risco e na tomada de decisão para transplante, seguindo os limiares atualizados pela ISHLT. Assim, o exame se consolida como instrumento essencial na prática moderna da IC, integrando diagnóstico, prognóstico e monitoramento terapêutico, além de orientar estratégias de reabilitação e seleção de terapias avançadas.

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