Valores Ecocardiográficos de Referência para as Câmaras Cardíacas no Brasil: Um Estudo Multirregional e Multirracial
Resumo
Fundamento
Valores de referência para a quantificação das câmaras cardíacas são essenciais para a tomada de decisão clínica. O Brasil é um país continental com grande diversidade racial e marcadas variações socioeconômicas e antropométricas regionais que podem não estar adequadamente representadas nos padrões ecocardiográficos internacionais.
Objetivo
Estabelecer medidas ecocardiográficas de referência para adultos brasileiros saudáveis e investigar diferenças geográficas e relacionadas ao sexo nas principais regiões do país.
Métodos
Neste estudo prospectivo e multicêntrico, ecocardiogramas transtorácicos foram realizados em 496 voluntários saudáveis (idade média de 41 ± 15 anos; 55% mulheres) provenientes de cinco regiões do Brasil. Foram analisadas as dimensões, os volumes, a massa, a fração de ejeção e o strain longitudinal global (SLG) do ventrículo esquerdo (VE), bem como os parâmetros do átrio esquerdo (AE), de acordo com as diretrizes atuais. As comparações foram realizadas por sexo (teste t de Student ou teste U de Mann-Whitney) e por região (análise de variância).
Resultados
As dimensões das câmaras cardíacas e a massa do VE foram maiores nos homens, mesmo após indexação pela área de superfície corporal. Os volumes do AE também foram mais elevados nos homens, embora essas diferenças tenham sido atenuadas após a indexação. Os valores absolutos do SLG-VE e do SLG do ventrículo direito (VD) foram maiores nas mulheres, enquanto o strain de reservatório do AE (SRAE) foi semelhante entre os sexos. Em termos regionais, o Centro-Oeste apresentou volumes do VE significativamente menores, diferença principalmente observada nas mulheres, além de valores mais baixos do SLG-VE e do SLG-VD (p < 0,001). Em contraste, os volumes do AE foram menores na região Nordeste. Não foram observadas associações significativas entre raça autorreferida e parâmetros ecocardiográficos, exceto para o SLG-VD e o SRAE, que foram menores em participantes brancos.
Conclusão
Este estudo estabelece valores ecocardiográficos de referência em uma coorte brasileira representativa em nível nacional, confirma as diferenças esperadas relacionadas ao sexo e identifica variações regionais previamente não reconhecidas nas dimensões das câmaras cardíacas. Esses achados reforçam a necessidade de padrões específicos para a população, a fim de garantir uma quantificação cardíaca mais precisa.
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