Valva Culpada: Um Novo Conceito para Redução do Risco da Intervenção no Portador de Doença Valvar Grave
Na prática clínica, não é incomum nos depararmos com duas condições clínicas relativamente graves que ocorrem concomitantemente e podem justificar os sintomas do paciente. Por exemplo, as associações entre estenose aórtica e coronariopatia, ou entre estenose aórtica e insuficiência mitral primária ou secundária, ambas de grau moderado a importante, são corriqueiras no mundo real. Diante de pacientes com baixo risco cirúrgico, é consenso o tratamento combinado no momento da intervenção cirúrgica, a despeito das consequências desses procedimentos combinados, a exemplo do aumento da morbimortalidade cardiovascular. A título de exemplo, a troca da valva aórtica (VAo), combinada com a cirurgia de revascularização miocárdica, aumenta em quase duas vezes o risco de mortalidade, assim como a troca da VAo, combinada com o tratamento cirúrgico da valva mitral (VMi), aumenta em mais de três vezes esse risco. Entretanto, em pacientes que apresentam risco perioperatório elevado, especialmente em situações nas quais um procedimento menos invasivo isolado pode ser empregado, a tomada de decisão entre indicar um tratamento mais amplo, mas com maior morbimortalidade, comparado a um tratamento isolado, porém de menor morbimortalidade, não é trivial.
Recentemente, em discussões de Heart Team (HT), com o advento do tratamento da VAo pelo implante percutâneo da válvula aórtica (TAVI) ou mesmo do tratamento “borda a borda” e “valve in valve” da VMi, ganhou força a ideia de que o tratamento isolado da lesão mais grave, provável responsável principal pelos sintomas do paciente, tem potencial de otimizar o desfecho do paciente, reduzindo a morbimortalidade esperada e melhorando substancialmente a sua qualidade de vida.
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