Editorial

Fatores na Decisão entre os Novos e os Tradicionais Anticoagulantes Orais na Prevenção de Embolia em Pacientes com Fibrilação Atrial

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais frequente na prática clínica e com perspectiva de prevalência crescente nas próximas décadas. Sua ocorrência implica em redução da qualidade de vida e em aumento da mortalidade, devido principalmente ao acidente vascular cerebral (AVC) e ao tromboembolismo (TE) sistêmico. O AVC oriundo da FA apresenta maior risco de complicações graves, como incapacidade permanente e hospitalização prolongada, quando comparado ao de outras etiologias.–

A partir de sua descoberta há mais de 50 anos, os antagonistas da vitamina K (VitK) tornaram-se o tratamento mais efetivo na prevenção do AVC e TE nos pacientes com FA. Entretanto, devido ao risco de complicações hemorrágicas, apenas pacientes com FA persistente considerados de muito alto risco, com acidente embólico prévio, portadores de próteses valvares mecânicas e aqueles que se submetiam a cardioversão elétrica recebiam esse tratamento numa fase inicial. Entre as décadas de 80 e 90 foram realizados os principais estudos clínicos controlados que determinaram a importância da prevenção do AVC na FA não valvar e deram o suporte científico para seu uso clínico atual. Foi demonstrado de forma indiscutível o maior benefício dos antagonistas da VitK em relação ao placebo (em média 64% de redução de risco relativo) e o papel modesto ou até ausente do ácido acetilsalicílico na prevenção de AVC nessa população.

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