Milton Sérgio Bohatch Junior et al. Fernando Reis Neto Daniel Gustavo Miquelin Andre Rodrigo Miquelin … Henrique Amorim Santos Amanda Fernandes Vidal da Silva Luiz Fernando Reis Jose Maria Pereira de Godoy
Uma mulher de 73 anos, com histórico de hipertensão arterial, foi encaminhada ao serviço de cirurgia vascular por dor torácica intensa e sinais de choque (taquicardia e tendência à hipotensão). Foi realizada uma angiotomografia com achado de aneurisma toracoabdominal (Classificação de Crawford tipo 2 – ) com sinais de ruptura ( e ) e variação anatômica dos troncos supra-aórticos, artéria subclávia direita aberrante (ASDA) ( e ) e tronco bicarotídeo (). Ela foi submetida a cirurgia de emergência com reparo híbrido, envolvendo ramificação visceral via laparotomia e correção endovascular do aneurisma. Infelizmente, durante o procedimento, ela apresentou instabilidade hemodinâmica, choque refratário culminando em óbito. A família autorizou a publicação e assinou o termo de consentimento.
A ASDA é uma anomalia rara com prevalência de 0,2% a 13,3%., Há um predomínio no sexo feminino, indivíduos com anomalias congênitas (até 3%) e na síndrome de Down (até 35%). A ASDA pode estar associada a um tronco bicarotídeo em 0,8 até 20% dos casos, no qual as duas artérias carótidas comuns se originam do mesmo local no arco aórtico. Os Aneurismas da Aorta Toracoabdominal (AATA) representam 10% de todos aneurismas da aorta. São potencialmente fatais se não forem tratados precocemente, podendo evoluir com ruptura e/ou dissecção. A taxa de mortalidade dos aneurismas toracoabdominais em um levantamento epidemiológico na cidade de São Paulo foram duas vezes maiores para reparos de emergência, do que em reparo eletivo (42,10% vs. 26,78%). Alguns autores atribuem essa diferença à instabilidade hemodinâmica dos aneurismas rotos, bem como a falta de preparo pré-operatório em tempo hábil para os pacientes em situações de urgência ou emergência. O estudo anatômico é imprescindível para o tratamento dos AATAs seja por cirurgia aberta, endovascular ou técnicas hibridas. Variações anatômicas dos troncos supra-aórticos aumentam a complexidade cirúrgica, independente das técnicas empregadas.
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