Bruno Ferraz de Oliveira Gomes et al. João Luiz Fernandes Petriz Iliana Regina Ribeiro Menezes Anny de Sousa Azevedo … Thiago Moreira Bastos da Silva Valdilene Lima Silva Leticia de Sousa Peres David Fernandes Pedro Pereira Giovanni Possamai Dutra Suzanna Andressa Morais de Paula Bárbara Ferreira da Silva Mendes Plinio Resende do Carmo Junior Basilio de Bragança Pereira Gláucia Maria Moraes de Oliveira
Resumo
Fundamento
Alguns estudos demonstraram uma maior prevalência de óbitos em portadores de fatores de risco cardiovascular (FRC) durante internação por COVID-19.
Objetivos
Avaliar o impacto do alto risco cardiovascular em pacientes internados em terapia intensiva por COVID-19
Métodos
Estudo retrospectivo com pacientes admitidos em terapia intensiva, com diagnóstico confirmado de COVID-19 por RT-PCR e com pelo menos uma dosagem de troponina durante a internação. Os critérios para definição de paciente de alto risco cardiovascular (ARC) foram: histórico de doença cardiovascular estabelecida (infarto, AVC ou doença arterial periférica), diabetes, doença renal crônica com clearance 65 anos). O desfecho primário deste estudo é mortalidade hospitalar por todas as causas. P<0,05 foi considerado significativo.
Resultados
Foram incluídos 236 pacientes, média de idade= 61,14±16,2 anos, com 63,1% homens, 55,5% hipertensos e 33,1% diabéticos. Um total de 47,4% dos pacientes apresentavam ARC. Observou-se um aumento significativo da mortalidade conforme aumento do número de fatores de risco (0 FRC: 5,9%; 1 FRC: 17,5%; 2 FRC: 32,2% e ≥3 FRC: 41,2%; p=0,001). Na regressão logística ajustada para gravidade (escore SAPS3), o grupo de alto risco cardiovascular e troponina elevada apresentou maior ocorrência de mortalidade hospitalar (OR 40,38; IC95% 11,78-138,39). Pacientes sem alto risco cardiovascular, mas com troponina elevada, também exibiram associação significativa com o desfecho primário (OR 16,7; IC95% 4,45-62,74).
Conclusão
Em pacientes internados em terapia intensiva por COVID-19, a presença de alto risco cardiovascular afeta a mortalidade hospitalar somente em pacientes que apresentaram elevação de troponina.