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  2. Palavra-chave: perfil de impacto da doença
ABC
Editorial

Impacto do Cardioversor Desfibrilador Implantável na Vida de seus Portadores

Silas dos Santos Galvão Filho

O primeiro implante de CDI em humanos ocorrido em 1980, seguido da incorporação desse dispositivo ao arsenal terapêutico da cardiologia no início dos anos 90, foi um dos maiores avanços no tratamento das arritmias cardíacas. Sendo a terapêutica de eleição com evidências de eficácia para grande número de pacientes com risco de morte súbita cardíaca de causas não reversíveis, os CDIs apresentam algumas peculiaridades que podem impactar na vida cotidiana de seus portadores. No início, os CDIs eram dispositivos enormes, somente passíveis de serem implantados a nível abdominal, com seus eletrodos e palhetas para aplicação do choque implantados diretamente no coração mediante toracotomia. Nesse momento, o impacto desses dispositivos na vida de seus portadores era grande, desde estético, até pelo grande número de choques inapropriados, causados por algoritmos ainda precários de discriminação da arritmia a ser tratada: taquicardia ventricular (TV) ou fibrilação ventricular (FV), além das primeiras programações ainda inadequadas. Em nossa experiência inicial com CDIs no final dos anos 80 e início dos anos 90, tivemos muitos problemas de aceitação, sendo que alguns pacientes solicitaram até mesmo retirar o dispositivo após quadro de choques de repetição. Com a espetacular evolução que sofreram, os CDIs incorporaram todos os avanços tecnológicos, melhorando sua performance diagnóstica na liberação das terapêuticas e passando a ter dimensões pouco maiores que os marcapassos, propiciando implantes dos dispositivos a nível torácico, com eletrodos totalmente transvenosos por cirurgia minimamente invasiva, dispensando a toracotomia. Não obstante esses avanços, uma parte considerável dos pacientes persiste referindo impacto na sua qualidade de vida. Isso se deve principalmente a um aspecto: o CDI é o único dispositivo cardíaco eletrônico implantável cujo funcionamento normal terapêutico é percebido pelo paciente, com sensações descrita pela grande maioria como muito desagradáveis, especialmente a terapia com choque, sendo a pior situação quando ocorrem choques de repetição. O aperfeiçoamento dos algoritmos diagnósticos das taquiarritmias, e o maior conhecimento da programação dos dispositivos, reduziram consideravelmente os choques inapropriados, entretanto os choques apropriados, mesmo os de repetição conhecidos como tempestades elétricas persistem ocorrendo,, já que correspondem ao funcionamento normal do aparelho na reversão de parada cardíaca por FV, ou de arritmia potencialmente maligna como a TV. Felizmente, hoje esses graves episódios são bem menos frequentes e passíveis de serem tratados por meio de medicamentos e/ou procedimentos intervencionistas como ablação por cateter.

O artigo “Preditores de Qualidade de Vida, Ansiedade e Aceitação em Pacientes com Cardioversor-Desfibrilador Implantável” avaliou esses aspectos em um número razoável de pacientes submetidos ao primeiro implante ou troca de gerador de CDI, mostrando que cerca de um quarto dos pacientes apresentaram algum tipo de impacto negativo. Mostrou também que a idade de 60 anos ou mais, a ausência de fibrilação atrial (FA) e o sexo feminino, foram preditores de melhores resultados. Essas informações são importantes e merecem algumas considerações: 1 – Tendo melhorado consideravelmente ao longo dos anos, o CDI ainda impacta negativamente na vida de um número relativamente importante de seus portadores. Isso estimula a melhora tecnológica dos dispositivos otimizando as terapias, além da melhor abordagem e preparo psicológico do paciente no pré-operatório. 2 – Os piores resultados dos pacientes mais jovens podem ser explicados pela sensação de grande limitação das atividades impostas aos portadores de CDI, entretanto essas limitações são devidas mais a cardiopatia de base do que propriamente ao dispositivo. Em alguns casos, sem maiores alterações da função cardiológica, até mesmo atividades esportivas profissionais de impacto podem ser liberadas,, como no caso de 2 jogadores de futebol que disputaram a última copa do mundo portando CDI. 3 – No caso dos portadores de FA, essa arritmia muitas vezes sintomática, não infrequentemente está relacionada a cardiopatias com pior função cardiológica, o que aumenta as limitações. Além disso a FA pode ser responsável por choques inapropriados, passíveis de serem evitados com programação adequada. 4 – Em relação ao fato de as mulheres apresentarem melhores resultados apesar dos problemas estéticos que esses dispositivos podem causar, isso se deve provavelmente a maior tolerância às terapias e a melhor compreensão das possíveis limitações de suas atividades, por serem portadores de CDI.

[…]

  • Arritmias Cardíacas
  • Desfibriladores Implantáveis / tendências
  • Morte Súbita Cardíaca
  • perfil de impacto da doença
  • Qualidade de Vida
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05/07/2024 DOI: 10.36660/abc.20240196 Visualizações 2
Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática
ABC
Revisão

Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática

Suzana Alves da Silva et al. Sonia Regina Lambert Passos Mariana Teixeira Carballo Mabel Figueiró

ARTIGO DE REVISÃO

Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática

[…]

  • perfil de impacto da doença
  • Qualidade de Vida
  • Revisão
  • Síndrome Coronariana Aguda
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16/01/2012 DOI: 10.1590/S0066-782X2011001500013
Perfil clínico-angiográfico na doença arterial coronariana: desfecho hospitalar com ênfase nos muito idosos
ABC
Artigo Original

Perfil clínico-angiográfico na doença arterial coronariana: desfecho hospitalar com ênfase nos muito idosos

Micheli Zanotti Galon et al. George César Ximenes Meireles Sérgio Kreimer Gilberto Guilherme Ajjar Marchiori … Desidério Favarato João Aparecido Pimenta de Almeida Lorena Squassante Capeline

FUNDAMENTO: Conhecer fatores de risco e manifestações clínicas da doença arterial coronariana (DAC) permite-nos intervir de maneira mais eficaz junto a uma determinada população. OBJETIVO: Identificar perfis clínicos e angiográficos dos pacientes submetidos a cateterismo cardíaco, atendidos em um hospital terciário e tratados por meio de intervenções coronarianas percutâneas (ICP). MÉTODOS: Casuística de 1.282 pacientes submetidos a 1.410 cateterismos cardíacos, selecionados de mar/2007-mai/2008 em um banco de dados de um hospital geral para diagnóstico de doença arterial coronariana (DAC). Fatores de risco, indicação do exame, detalhes técnicos da ICP e desfechos intra-hospitalares foram prospectivamente coletados. RESULTADOS: Foram 688 (54,0%) pacientes do sexo masculino, com média de idade de 65,4 ± 10,9 anos, sendo 20,0% acima dos 75 anos. O quadro clínico confirmado com mais frequência foi o de síndrome coronariana aguda (SCA) sem supradesnivelamento do segmento ST (SST) (38,7%). A DAC multiarterial ocorreu em 46,4%, foi indicada ICP em 464 pacientes, sendo tratadas 547 lesões-alvo (tipo B2 ou C, em 86,0%), sendo destas, 14,0% tratadas com stent farmacológico. Dentre os IAM com SST, ICP primária foi realizada em 19,0% dos pacientes, sendo que, destes, 77,0% foram transferidos dos hospitais de origem tardiamente (ICP tardia) e não receberam trombolítico prévio, e 4,0% realizaram ICP de resgate. Foi obtido sucesso angiográfico em 94,2% das ICPs. Aconteceu óbito em 5,6% dos pacientes, tendo estes uma média de idade de 75,2 ± 10,2 anos. CONCLUSÃO: Observamos predomínio de idosos (estando 20,1% > 75 anos) e do sexo masculino. Dos fatores de risco para DAC, os mais frequentes foram hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia. Ocorreu predomínio da SCA. A idade > 75 anos, DAC multiarterial e a insuficiência renal crônica foram os preditores de óbito intra-hospitalar.

  • Cateterismo Cardíaco
  • Doença da Artéria Coronária
  • Fatores de risco
  • Idoso
  • perfil de impacto da doença
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17/09/2010 DOI: 10.1590/S0066-782X2010005000127
ABC
Artigo Original

Incapacidade para atividades habituais: relação com pressão arterial e terapêutica anti-hipertensiva

Gilberto Senechal de Goffredo Filho et al. Eduardo Faerstein

FUNDAMENTO: A hipertensão arterial desempenha papel determinante na ocorrência de eventos clínicos graves, porém há controvérsias quanto ao impacto dos níveis da pressão arterial ou das medicações anti-hipertensivas no cotidiano dos indivíduos. OBJETIVO: Verificar se a elevação dos valores pressóricos ou a terapia farmacológica anti-hipertensiva determinam incapacidade temporária para atividades habituais. MÉTODOS: Análise de dados seccionais de 2.953 participantes, em 1999-2001, de coorte de funcionários de universidade no Rio de Janeiro (Estudo Pró-Saúde). A ocorrência e duração da incapacidade nos 14 dias anteriores à coleta de dados foram avaliadas segundo o valor aferido da pressão arterial, como variável contínua, e com a estratificação dos participantes em quatro grupos, combinando as informações quanto à pressão arterial ( 140/90 mmHg) e o uso relatado de medicação anti-hipertensiva. Realizamos regressão logística multinomial, com ajuste múltiplo para sexo, idade cor/raça, renda domiciliar per capita, e relato de comorbidades. RESULTADOS: A razão de chances ajustada para a relação entre uso de anti-hipertensivos e incapacidade de 8 a 14 dias foi de 2,08 (IC 95%: 1,25-3,48), e para a relação entre aumento de 10 mmHg da pressão sistólica e incapacidade de até 7 dias foi de 0,92 (IC 95%: 0,84-1,01). CONCLUSÃO: Incapacidade temporária por 8 a 14 dias associada à medicação anti-hipertensiva pode estar relacionada aos seus efeitos adversos. Entre outras razões, a sugestiva associação inversa entre pressão sistólica e incapacidade por até 7 dias pode relacionar-se ao fenômeno de hipoalgesia por vezes descrita entre hipertensos.

  • Anti-Hipertensivos
  • Hipertensão
  • perfil de impacto da doença
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26/03/2010 DOI: 10.1590/S0066-782X2010005000011 Visualizações 1

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Galvão Filho SS. Impacto do Cardioversor Desfibrilador Implantável na Vida de seus Portadores. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2024;121(4):e20240196.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Galvão Filho, Silas dos Santos. Impacto do Cardioversor Desfibrilador Implantável na Vida de seus Portadores. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 4, e20240196, jul. 2024.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Galvão Filho, S. S. (2024). Impacto do Cardioversor Desfibrilador Implantável na Vida de seus Portadores. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 121(4), e20240196.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Galvão Filho, Silas dos Santos. Impacto do Cardioversor Desfibrilador Implantável na Vida de seus Portadores. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2024, vol. 121, n. 4, [citado 2026-10-14], e20240196. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/impacto-do-cardioversor-desfibrilador-implantavel-na-vida-de-seus-portadores/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Silva SA, Passos SRL, Carballo MT, Figueiró M. Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2012;97(6):526-40.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Silva, Suzana Alves da; Passos, Sonia Regina Lambert; Carballo, Mariana Teixeira; Figueiró, Mabel. Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 97, n. 6, p. 526-540, jan. 2012.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Silva, S. A. , Passos, S. R. L., Carballo, M. T., & Figueiró, M. (2012). Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 97(6), 526-540.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Silva, Suzana Alves da and Passos, Sonia Regina Lambert and Carballo, Mariana Teixeira and Figueiró, Mabel. Avaliação da qualidade de vida após síndrome coronariana aguda: revisão sistemática. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2012, vol. 97, n. 6, [citado 2026-10-14], pp. 526-540. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/avaliacao-da-qualidade-de-vida-apos-sindrome-coronariana-aguda-revisao-sistematica/>. ISSN 0066-782X

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Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Galon MZ, Meireles GCX, Kreimer S, Marchiori GGA, Favarato D, Almeida JAP, Capeline LS, et al. Perfil clínico-angiográfico na doença arterial coronariana: desfecho hospitalar com ênfase nos muito idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2010;95(4):422-9.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Galon, Micheli Zanotti; Meireles, George César Ximenes; Kreimer, Sérgio; Marchiori, Gilberto Guilherme Ajjar; Favarato, Desidério; Almeida, João Aparecido Pimenta de; Capeline, Lorena Squassante. Perfil clínico-angiográfico na doença arterial coronariana: desfecho hospitalar com ênfase nos muito idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 95, n. 4, p. 422-429, set. 2010.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Galon, M. Z., Meireles, G. C. X., Kreimer, S., Marchiori, G. G. A., Favarato, D., Almeida, J. A. P. , & Capeline, L. S. (2010). Perfil clínico-angiográfico na doença arterial coronariana: desfecho hospitalar com ênfase nos muito idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 95(4), 422-429.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Galon, Micheli Zanotti and Meireles, George César Ximenes and Kreimer, Sérgio and Marchiori, Gilberto Guilherme Ajjar and Favarato, Desidério and Almeida, João Aparecido Pimenta de and Capeline, Lorena Squassante. Perfil clínico-angiográfico na doença arterial coronariana: desfecho hospitalar com ênfase nos muito idosos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2010, vol. 95, n. 4, [citado 2026-10-14], pp. 422-429. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/perfil-clinico-angiografico-na-doenca-arterial-coronariana-desfecho-hospitalar-com-enfase-nos-muito-idosos/>. ISSN 0066-782X

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Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Goffredo Filho GS, Faerstein E. Incapacidade para atividades habituais: relação com pressão arterial e terapêutica anti-hipertensiva. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2010;94(4):472-6.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Goffredo Filho, Gilberto Senechal de; Faerstein, Eduardo. Incapacidade para atividades habituais: relação com pressão arterial e terapêutica anti-hipertensiva. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 94, n. 4, p. 472-476, mar. 2010.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Goffredo Filho, G. S. , & Faerstein, E. (2010). Incapacidade para atividades habituais: relação com pressão arterial e terapêutica anti-hipertensiva. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 94(4), 472-476.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Goffredo Filho, Gilberto Senechal de and Faerstein, Eduardo. Incapacidade para atividades habituais: relação com pressão arterial e terapêutica anti-hipertensiva. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2010, vol. 94, n. 4, [citado 2026-10-14], pp. 472-476. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/incapacidade-para-atividades-habituais-relacao-com-pressao-arterial-e-terapeutica-anti-hipertensiva/>. ISSN 0066-782X

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