Suzana Alves Silva et al. Keila Amaral Sabrina Bernardez-Pereira Marcelo Franken … Daisa Mesquita Escobosa Carolina Ivo Leandro Menezes Alves da Costa Fabio Gomes da Conceição Laine Lisboa Thays Naomy Rizzi Bárbara Reis Tamburim Luciana Alves Lopes Siomara Tavares Fernandes Yamaguti Luiz Antonio Nasi Juçara Maccari Arthur Pille Jonas Michel Wolf Andre Volschan Marcelo Westerlund Montera Silvia Moreira Ayub Ferreira Luiz Francisco Cardoso Roberta Saretta Teresa Cristina D. C. Nascimento Olívia Margarido Camila Oliveira Evelyn Tiburzio Ary Ribeiro
Resumo
Fundamento
Evidências de mundo real que integrem desfechos clínicos e medidas relatadas pelos pacientes na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) ainda permanecem escassas em países de renda média. Estruturas padronizadas para mensuração de desfechos podem permitir uma avaliação mais consistente da qualidade do cuidado e da efetividade terapêutica.
Objetivo
Avaliar a associação entre terapia médica direcionada por diretrizes (TMDD) e desfechos clínicos, bem como qualidade de vida (QV) autorrelatada, em pacientes com ICFEr durante 1 ano após a hospitalização índice, utilizando o conjunto padrão do International Consortium for Health Outcomes Measurement em uma coorte brasileira multicêntrica.
Métodos
Este estudo de coorte prospectiva incluiu adultos hospitalizados por descompensação de ICFEr (fração de ejeção ≤ 40%) em seis hospitais terciários privados no Brasil. Desfechos clínicos e medidas relatadas pelos pacientes foram coletados utilizando instrumentos padronizados, incluindo o Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire-12 (KCCQ-12) e o Patient Health Questionnaire-2 (PHQ-2).
Resultados
Foram incluídos 2.375 pacientes (idade média de 75,9 ± 13,6 anos; 69% do sexo masculino). Durante um seguimento mediano de 369 dias, 26,1% morreram e 34,6% apresentaram reospitalização relacionada à insuficiência cardíaca. Idade mais avançada esteve associada a maiores riscos de mortalidade e reospitalização (p ≤ 0,003). O uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina, bloqueadores dos receptores de angiotensina ou inibidores do receptor de angiotensina-neprilisina esteve associado à menor mortalidade (hazard ratio [HR], 0,58; p = 0,001), enquanto os betabloqueadores demonstraram forte efeito protetor (HR, 0,40; p < 0,001). Antagonistas dos receptores de mineralocorticoides estiveram associados a menores taxas de reospitalização (HR, 0,79; p = 0,032). A TMDD esteve associada a maiores escores do KCCQ-12 ao longo do seguimento (p < 0,05). Mulheres e pacientes com reospitalizações recorrentes relataram menor QV (p < 0,02). Os escores do PHQ-2 permaneceram baixos e estáveis ao longo do tempo.
Conclusão
A mensuração padronizada de desfechos é factível no cuidado de pacientes com ICFEr em condições de prática clínica real. A TMDD esteve associada à melhora da sobrevida e da QV, reforçando estratégias mais equitativas e baseadas em valor para o manejo da ICFEr.