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ABC
Ponto de Vista

A Evolução do Cenário da Cardiogeriatria no Brasil: Novos Desafios para um Novo Mundo

Caio de Assis Moura Tavares et al. André Feitosa Wanderley Cavalcanti Wilson Jacob Filho

A Essência da Cardiogeriatria

Por tratar-se de advento recente e ainda não totalmente difundido, muitas vezes confunde-se a Cardiogeriatria com uma Geriatria praticada pelo cardiologista ou, simplesmente, como a Cardiologia aplicada ao paciente idoso, o que, apesar de constituir parte do âmago dessa disciplina, não representa a sua totalidade. Mais adequado seria defini-la como a integração do cuidado cardiovascular com uma abordagem adequada à idade e centrada no paciente e na sua funcionalidade – conceito já exposto previamente por nossos colegas , , mas que, com o passar dos anos, está tomando forma, com o uso de ferramentas específicas e pré-determinadas.

De modo objetivo, pode-se considerá-la como uma prática cardiológica, integrada aos 5 Ms da Geriatria: medication (foco na prescrição do absolutamente necessário, visando restringir a polifarmácia, reduzir interações e efeitos adversos, respeitando os critérios de Beers na seleção de medicações adequadas ao idoso), mentation (vigilância, prevenção e tratamento dos distúrbios cognitivos), mobility (valorização e implementação de estratégias que visem manter a funcionalidade mecânica do paciente), multimorbidity (abordagem do paciente não com o olhar apenas sobre o sistema cardiovascular, mas considerando-se que a ocorrência de múltiplas comorbidades é a regra, e não a exceção, nesses indivíduos) e, por último, e literalmente mais importante, matters most (sempre valorizar a opinião do paciente sobre os benefícios e fardos que o tratamento irá acarretar, sob a ótica da sua biografia e valores pessoais, trazendo-o para o centro das decisões). Acrescentaríamos, ainda, um sexto e último M, de multidisciplinaridade, pois o cuidado desses idosos deve estar coordenado de forma horizontal por um profissional, mas nunca isolado em sua figura, sendo importante a participação de outros especialistas e profissionais de saúde. Na Unidade de Cardiogeriatria do InCor, para todos os pacientes é realizada uma avaliação geriátrica ampla com o auxílio da ferramenta TAGA-10 (Targeted Geriatric asssesment) ,

[…]

  • Assistência à Saúde
  • Avaliação Geriátrica
  • Cardiologia/tendências
  • Dinâmica Populacional
  • Geriatria/tendências
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  • Idoso Fragilizado
  • Saúde para Idosos
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
06/04/2020 DOI: 10.36660/abc.20190292 Visualizações 1
ABC
Artigo de Pesquisa

Depressão como Determinante Clínico de Dependência e Baixa Qualidade de Vida em Idosos Cardiopatas

Giselle Helena de Paula Rodrigues et al. Otavio Celso Eluf Gebara Catia Cilene da Silva Gerbi Humberto Pierri Mauricio Wajngarten

Fundamento:

Com o envelhecimento, a prevalência de doenças crônico-degenerativas sofreu aumento progressivo. A repercussão dessas doenças sobre a capacidade funcional foi reconhecida. Outro parâmetro de saúde é a “qualidade de vida relacionada à saúde”. Na população idosa, as doenças cardiovasculares destacam-se pelo impacto epidemiológico e clínico. Elas, geralmente, vêm associadas a outras afecções. Esse conjunto de problemas pode comprometer a independência e a qualidade de vida do idoso que busca tratamento cardiológico.

Objetivo:

Avaliar, em uma população de idosos cardiopatas, quais são os determinantes clínicos mais relevantes de dependência e de qualidade de vida.

Métodos:

O grupo foi selecionado aleatória e consecutivamente, sendo aplicados quatro questionários: HAQ, SF-36, PRIME‑MD e Mini Exame do Estado Mental.

Resultados:

Incluiu-se 1020 idosos, 63,3% mulheres. O grupo tinha em média 75,56 ± 6,62 anos. 61,4% mostrou-se independente ou com dependência leve. O escore de qualidade de vida foi elevado (HAQ: 88,66 ± 2,68). 87,8% dos pacientes apresentou escore total do SF-36 ≥ 66. À análise multivariada, a associação entre os diagnósticos e graus elevados de dependência foi significante apenas para acidente vascular cerebral prévio (p = 0,014), obesidade (p < 0,001), sedentarismo (p = 0,016), osteoartrite (p < 0,001), déficit cognitivo (p < 0,001), e depressão maior (p < 0,001). Ao analisarmos a qualidade de vida, a depressão maior e a depressão por doença física associou-se significativamente com todos os domínios do SF-36.

Conclusão:

Em uma população de idosos cardiopatas, os determinantes clínicos mais relevantes de prejuízos para dependência e qualidade de vida foram as comorbidades não cardiovasculares, particularmente a depressão.

  • Depressão
  • Doenças Cardiovasculares
  • Idoso Fragilizado
  • idosos
  • Qualidade de Vida
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
14/04/2015 DOI: 10.5935/abc.20150034

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Tavares CAM, Cavalcanti AFW, Jacob Filho W. A Evolução do Cenário da Cardiogeriatria no Brasil: Novos Desafios para um Novo Mundo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2020;114(3):571-3.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Tavares, Caio de Assis Moura; Cavalcanti, André Feitosa Wanderley; Jacob Filho, Wilson. A Evolução do Cenário da Cardiogeriatria no Brasil: Novos Desafios para um Novo Mundo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 114, n. 3, p. 571-573, abr. 2020.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Tavares, C. A. M., Cavalcanti, A. F. W., & Jacob Filho, W. (2020). A Evolução do Cenário da Cardiogeriatria no Brasil: Novos Desafios para um Novo Mundo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 114(3), 571-573.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Tavares, Caio de Assis Moura and Cavalcanti, André Feitosa Wanderley and Jacob Filho, Wilson. A Evolução do Cenário da Cardiogeriatria no Brasil: Novos Desafios para um Novo Mundo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2020, vol. 114, n. 3, [citado 2026-10-14], pp. 571-573. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/a-evolucao-do-cenario-da-cardiogeriatria-no-brasil-novos-desafios-para-um-novo-mundo/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Rodrigues GHP, Gebara OCE, Gerbi CCS, Pierri H, Wajngarten M. Depressão como Determinante Clínico de Dependência e Baixa Qualidade de Vida em Idosos Cardiopatas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2015;104(6):443-9.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Rodrigues, Giselle Helena de Paula; Gebara, Otavio Celso Eluf; Gerbi, Catia Cilene da Silva; Pierri, Humberto; Wajngarten, Mauricio. Depressão como Determinante Clínico de Dependência e Baixa Qualidade de Vida em Idosos Cardiopatas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 104, n. 6, p. 443-449, abr. 2015.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Rodrigues, G. H. P., Gebara, O. C. E., Gerbi, C. C. S., Pierri, H., & Wajngarten, M. (2015). Depressão como Determinante Clínico de Dependência e Baixa Qualidade de Vida em Idosos Cardiopatas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 104(6), 443-449.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Rodrigues, Giselle Helena de Paula and Gebara, Otavio Celso Eluf and Gerbi, Catia Cilene da Silva and Pierri, Humberto and Wajngarten, Mauricio. Depressão como Determinante Clínico de Dependência e Baixa Qualidade de Vida em Idosos Cardiopatas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2015, vol. 104, n. 6, [citado 2026-10-14], pp. 443-449. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/depressao-como-determinante-clinico-de-dependencia-e-baixa-qualidade-de-vida-em-idosos-cardiopatas/>. ISSN 0066-782X

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