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  2. Palavra-chave: heparina
ABC
Editorial

Existe um Tamanho Único para Todos? – Refinando a Terapia Anticoagulante Parenteral de Acordo com o Peso Corporal

Remo Holanda de Mendonça Furtado

Os anticoagulantes parenterais são medicamentos amplamente utilizados na medicina. Em síndromes coronárias agudas (SCA), o uso de heparina não fracionada intravenosa (HNF) tem sido amplamente substituído por heparinas de baixo peso molecular (HBPM) devido à facilidade de administração, ao efeito mais previsível e à eficácia superior destas últimas em pacientes com infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST submetidos à fibrinólise. As diretrizes atuais recomendam a anticoagulação com enoxaparina (classe I) em uma ampla gama de pacientes com SCA., No entanto, uma das principais limitações da HBPM continua sendo seu uso em pacientes com extremos de peso corporal. Alguns estudos sugerem uma anticoagulação menos confiável entre pacientes com peso superior a 100 kg ou com índice de massa corporal (IMC) acima de 40 kg/m². Ainda é controverso se a dose de 1 mg/kg a cada 12 horas para anticoagulação terapêutica deve ser mantida em pacientes extremamente obesos., Atualmente, a bula brasileira da enoxaparina recomenda uma dose máxima de 100 mg a cada 12 horas, com ajustes posológicos adicionais para pacientes com mais de 75 anos e aqueles com disfunção renal moderada a grave.

A edição atual dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia traz uma importante metanálise que pode ajudar, em parte, a esclarecer essas questões. Os autores realizaram uma revisão sistemática de estudos envolvendo pacientes em tratamento para diversas condições, a maioria (87%) para SCA, com anticoagulante parenteral (HNF, enoxaparina ou fondaparinux). Os estudos elegíveis compararam dois grupos de exposição (obesos versus não obesos, sendo obesos definidos como IMC ≥ 30 kg/m²) em termos de desfechos de morte e sangramento. Como poucos estudos relataram desfechos de infarto do miocárdio e nenhum analisou acidente vascular cerebral, esses desfechos não fizeram parte da metanálise atual. Os autores encontraram 6 estudos, três deles análises secundárias de ensaios clínicos randomizados (ECR) e três estudos de coorte retrospectivos. As taxas de sangramento não diferiram de acordo com a presença de obesidade (sem heterogeneidade aparente de acordo com HNF versus HBPM). No entanto, a obesidade foi associada à menor mortalidade em anticoagulação parenteral. Esta última descoberta não é totalmente surpreendente, visto que já foi demonstrada antes (o chamado “paradoxo da obesidade”). Os pontos fortes da metanálise atual foram a seleção rigorosa de estudos em diferentes bases de dados, a avaliação do risco de viés e a heterogeneidade das estimativas com métodos adequados. A principal limitação foi que, embora ECRs tenham sido incluídos, a informação essencial, ou seja, a comparação entre pacientes obesos e não obesos, foi baseada em dados observacionais, com o risco inerente de viés devido a fatores de confusão desconhecidos e não mensurados. A aparente menor mortalidade em pacientes obesos pode ser explicada pela idade geralmente mais jovem (já que o envelhecimento é, de fato, um fator que pode diminuir o peso corporal ao longo do tempo) e, portanto, pela menor prevalência de outras comorbidades relacionadas à idade que, per si, estão associadas a uma mortalidade mais alta, criando assim este aparente paradoxo. Essa mesma questão pode encobrir um sinal potencial para um aumento de sangramento (se existir) entre pacientes obesos. Se a obesidade fosse protetora contra a morte, não esperaríamos uma redução da mortalidade favorecendo a perda de peso em ECRs que testaram um medicamento para redução de peso, como a semaglutida subcutânea, entre pacientes com alto risco cardiovascular.

[…]

  • Anticoagulantes
  • heparina
  • Peso Corporal
  • Trombose
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
16/06/2025 DOI: 10.36660/abc.20250251
Debate propositivo sobre os biossimilares de enoxaparina no Brasil
ABC
Ponto de Vista

Debate propositivo sobre os biossimilares de enoxaparina no Brasil

Paulo A.S. Mourão et al. Bianca F. Glauser Bruno C. Vairo Mariana S. Pereira

Algumas patentes das heparinas de baixo peso molecular expiraram e outras estão vencendo. Versões biossimilares desses fármacos estão disponíveis para o uso clínico em vários países. Entretanto, ainda persiste ceticismo sobre a possibilidade de se obter preparações semelhantes ao medicamento original em razão do complexo processo para gerar heparina de baixo peso molecular. Nosso laboratório analisou, nos últimos anos, amostras de enoxaparina disponíveis para uso clínico no Brasil. Já analisamos 30 lotes distintos e 70 produtos acabados. Essas preparações foram avaliadas quanto à estrutura química, distribuição de peso molecular, atividade anticoagulante in vitro e efeitos farmacológicos em modelos animais de trombose e sangramento. Claramente, nossos resultados indicam que as preparações biossimilares de enoxaparina são semelhantes ao medicamento original. Nossos resultados indicam que essas versões biossimilares de enoxaparina são uma alternativa terapêutica válida, mas que requerem regulamentação adequada para assegurar o atendimento de requisitos regulatórios apropriados.

  • Enoxaparina
  • Fibrinolíticos
  • heparina
  • heparina de baixo peso molecular
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08/02/2012 DOI: 10.1590/S0066-782X2012000100019 Visualizações 2

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Furtado RHM. Existe um Tamanho Único para Todos? – Refinando a Terapia Anticoagulante Parenteral de Acordo com o Peso Corporal. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2025;122(4):e20250251.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Furtado, Remo Holanda de Mendonça. Existe um Tamanho Único para Todos? – Refinando a Terapia Anticoagulante Parenteral de Acordo com o Peso Corporal. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 122, n. 4, e20250251, jun. 2025.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Furtado, R. H. M. (2025). Existe um Tamanho Único para Todos? – Refinando a Terapia Anticoagulante Parenteral de Acordo com o Peso Corporal. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 122(4), e20250251.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Furtado, Remo Holanda de Mendonça. Existe um Tamanho Único para Todos? – Refinando a Terapia Anticoagulante Parenteral de Acordo com o Peso Corporal. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2025, vol. 122, n. 4, [citado 2026-10-14], e20250251. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/existe-um-tamanho-unico-para-todos-refinando-a-terapia-anticoagulante-parenteral-de-acordo-com-o-peso-corporal/>. ISSN 0066-782X

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Mourão PA, Glauser BF, Vairo BC, Pereira MS. Debate propositivo sobre os biossimilares de enoxaparina no Brasil. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2012;98(1):e11-4.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Mourão, Paulo A.S.; Glauser, Bianca F.; Vairo, Bruno C.; Pereira, Mariana S.. Debate propositivo sobre os biossimilares de enoxaparina no Brasil. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 98, n. 1, p. e11-e14, fev. 2012.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Mourão, P. A., Glauser, B. F., Vairo, B. C., & Pereira, M. S. (2012). Debate propositivo sobre os biossimilares de enoxaparina no Brasil. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 98(1), e11-e14.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Mourão, Paulo A.S. and Glauser, Bianca F. and Vairo, Bruno C. and Pereira, Mariana S.. Debate propositivo sobre os biossimilares de enoxaparina no Brasil. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2012, vol. 98, n. 1, [citado 2026-10-14], pp. e11-e14. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/debate-propositivo-sobre-os-biossimilares-de-enoxaparina-no-brasil/>. ISSN 0066-782X

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