Eduardo Gomes Lima et al. Ricardo D’Oliveira Vieira Paula Bombonati Jussara Bianchi Castelli
Aspectos clínicos
Trata-se de paciente de 41 anos de idade com antecedente de doença reumática que evoluiu com estenose mitral, sendo submetida a comissurotomia mitral aos 36 anos devido à presença de sintomas incapacitantes. Em nosso meio, a associação de estenose mitral com doença reumática é bastante comum . Cerca de 25% de todos os pacientes com doença reumática têm estenose mitral isolada; em 40% há dupla disfunção mitral . O tempo médio de intervalo entre o surto agudo inicial e o surgimento de sintomas pode variar de poucos anos a mais de 20.
A presença de sintomas de insuficiência cardíaca (classes III e IV da New York Heart Association), juntamente com dados ecocardiográficos que confirmem lesão anatômica significativa, é decisiva na indicação de intervenção: valvoplastia por cateter-balão ou cirurgia (comissurotomia ou substituição valvar). Sempre que possível, há a tentativa de corrigir o defeito valvar mantendo o aparelho valvar do paciente, postergando o implante de prótese. No caso em questão foi realizada comissurotomia, que deixou a paciente bem por cerca de cinco anos, quando voltou a ficar sintomática, sendo decidida a plastia valvar mitral. Essa evolução no paciente reumático pode se dar por repetidos surtos de valvulite, daí a necessidade de manter profilaxia secundária com penicilina benzatina em pacientes com acometimento cardíaco, de preferência por toda a vida ou até a quinta década quando isso não for possível .
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