Daniel Battacini Dei Santi et al. Mucio Tavares de Oliveira Jr Ricardo Tavares de Carvalho
Resumo
Fundamento
A insuficiência cardíaca (IC) avançada apresenta elevada morbidade e mortalidade, comprometendo a funcionalidade e a qualidade de vida de pacientes e familiares. Hospitalizações elevam a gravidade, especialmente quando requerem terapia inotrópica. Os cuidados paliativos (CP) auxiliam a lidar com o sofrimento causado por doenças graves, mas são pouco realizados na cardiologia.
Objetivo
avaliar a integração dos CP na abordagem de pacientes com IC descompensada, identificando possibilidades de melhoria assistencial.
Método
estudo unicêntrico, retrospectivo, observacional, realizado entre fevereiro/2015 e maio/2018, com pacientes com IC em terapia inotrópica. Analisaram-se os encaminhamentos para CP, a abordagem da equipe de interconsulta e os desfechos, com análise de sobrevida em 5 anos. Nível de significância estatística: 5%.
Resultados
Foram incluídos 492 pacientes, 66,9% do gênero masculino, mediana de idade de 63 anos (IQ 52-72). O referenciamento para CP ocorreu em 23% da amostra, com mediana de 8,0 dias (IQ 4,0-20) antes do óbito. Somente 14% dos pacientes em terapia intensiva foram referenciados. Nenhum paciente transplantado recebeu assistência paliativa. Pacientes atendidos pela equipe de CP foram mais envolvidos na tomada de decisão e mais frequentemente receberam opioides para manejo de sintomas do que os atendidos exclusivamente por cardiologistas (p<0,01). A mortalidade hospitalar e em 5 anos foi de 42% e 80%, respectivamente.
Conclusões
Pacientes em descompensação de IC apresentam alta mortalidade e são pouco encaminhados para CP, geralmente nos últimos dias de vida, o que reduz os benefícios dessa abordagem. É necessário maior educação médica em CP e o desenvolvimento de estratégias para aumentar essa integração, o que pode resultar em melhores desfechos.