O Uso dos Digitálicos: Reflexo da Medicina como a Ciência das Verdades Transitórias
Introdução
Segundo diretrizes atuais (recomendação I), o tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) – caracterizada por fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤40% – deve-se basear no esquema quádruplo para redução de desfechos cardiovasculares. O esquema consiste em betabloqueadores (BB), antagonistas de mineralocorticoides (ARM); bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (incluindo inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRAII) ou inibidores da neprilisina e receptor da angiotensina – INRA); e Inibidores do cotransportador de Sódio e Glicose 2 (iSGLT2).,
Nas últimas décadas, com a evolução terapêutica da ICFEr, alguns medicamentos, como os digitálicos, antes amplamente recomendados, foram reduzidos ao papel de adjuvantes para pacientes refratários. Esses medicamentos perderam espaço diante de seus efeitos adversos e dos inequívocos benefícios do “Quarteto Fantástico”, sobretudo a partir do final da década de 1990 (). No entanto, à luz de recentes evidências, os digitálicos parecem retomar relevância no tratamento adicional da Insuficiência Cardíaca (IC), refletindo que, diante das constantes nuanças do uso dos digitálicos ao longo dos anos, a medicina, de fato, é a ciência das verdades transitórias.
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