Editorial

Funcionalidade da HDL, Inibidores de CETP e Treinamento Físico: Onde Estamos?

O treinamento físico é bem consolidado como uma estratégia eficaz para aumentar as concentrações de colesterol da lipoproteína de alta densidade (HDL-C), especialmente em pessoas com triglicerídeos elevados e excesso de adiposidade visceral, sendo consistentemente associado a menor risco de doenças cardiovasculares (DCV). No entanto, a estratificação tradicional do risco de DCV baseada exclusivamente nos níveis de HDL-C tem sido cada vez mais questionada por evidências que destacam a importância de avaliar a funcionalidade da HDL, e não apenas os níveis de HDL-C. Essa mudança de paradigma ganhou particular atenção após os ensaios clínicos com inibidores da proteína de transferência de ésteres de colesterol (CETP), nos quais aumentos substanciais de HDL-C mediados farmacologicamente não se traduziram em melhores desfechos cardiovasculares. Os ensaios com inibidores de CETP relataram elevações acentuadas de HDL-C, variando de aproximadamente 31% a 133%, enquanto o treinamento físico normalmente induz um aumento mais modesto, da ordem de 2% a 5%.– Apesar dessas diferenças quantitativas, ambas as intervenções demonstraram melhorar aspectos da funcionalidade das partículas de HDL. Em intervenções baseadas em treinamento físico, os aumentos de HDL-C são acompanhados por melhorias na captação de colesterol mediada pela HDL, comumente avaliada pela capacidade de efluxo de colesterol (CEC), uma métrica que reflete com mais precisão o transporte reverso de colesterol e o risco de DCV, em comparação com a concentração de HDL-C isoladamente.– Mecanisticamente, a inibição da CETP também aumenta a CEC da HDL, indicando que as partículas de HDL farmacologicamente aumentadas podem reter propriedades funcionais. No entanto, efeitos adversos fora do alvo e a modulação artificial do metabolismo das lipoproteínas podem explicar parcialmente os desfechos cardiovasculares neutros ou desfavoráveis observados em diversos ensaios com inibidores de CETP.,, Em conjunto, esses achados ressaltam que, embora tanto o treinamento físico quanto a inibição de CETP aumentem substancialmente o HDL-C em circulação, o contexto biológico, os efeitos qualitativos nas partículas de HDL e as implicações clínicas diferem fundamentalmente entre essas intervenções, reforçando a necessidade de ir além da quantidade de HDL-C ao avaliar o risco cardiovascular e as estratégias terapêuticas.

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