Ressonância Magnética Cardíaca e Histologia na Valvopatia Aórtica: Convergências e Limitações
A fibrose miocárdica constitui elemento central do remodelamento ventricular na valvopatia aórtica grave e associa-se à disfunção ventricular e a piores desfechos, inclusive após intervenção valvar.– Embora a fração do volume de colágeno obtida por histologia represente o padrão-ouro para quantificação da fibrose intersticial, a biópsia miocárdica não integra a prática clínica rotineira devido ao seu caráter invasivo e às limitações amostrais. Nesse contexto, a ressonância magnética cardíaca (RMC) se consolidou como método não invasivo para caracterização tecidual, permitindo identificar fibrose regional por meio do realce tardio e estimar expansão intersticial por meio do mapeamento T1 e do cálculo do volume extracelular (VEC).–
O estudo publicado nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia contribui de forma relevante ao comparar diretamente parâmetros de RMC com a fração do volume de colágeno obtida por biópsia miocárdica em 108 pacientes com valvopatia aórtica grave submetidos à cirurgia. Diferentemente de muitas séries anteriores compostas exclusivamente por estenose aórtica, a coorte incluiu também pacientes com insuficiência aórtica, ampliando a aplicabilidade dos achados e incorporando um espectro fisiopatológico mais abrangente de sobrecarga ventricular.
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