Editorial

Por que a Cardiologia Não Pode mais Ignorar a Saúde Sexual?

Introdução

Em uma era de diagnósticos sofisticados e terapias personalizadas, um aspecto do atendimento ao paciente permanece rotineiramente negligenciado: a saúde sexual. A atividade sexual (AS) é mais do que uma fonte de prazer; é também um marcador de vitalidade, intimidade e resiliência emocional.– Para indivíduos com doença cardiovascular (DCV), o desejo de retomar a AS frequentemente sinaliza não apenas a recuperação física, mas também a cura emocional e a renovação da autoconfiança. Por outro lado, incentivamos os pacientes a caminhar, a se alimentar melhor e a tomar seus medicamentos. No entanto, quando se trata de sexo, o silêncio prevalece.

Embora a AS imponha demandas cardiovasculares comparáveis à atividade física moderada e seja geralmente considerada segura para a maioria dos pacientes com DCV estável, muitos permanecem incertos sobre quando ou como retomar a vida sexual após infarto do miocárdio (IM), cirurgias de revascularização do miocárdio e insuficiência cardíaca. Eles ficam com perguntas sem resposta porque o tópico é frequentemente recebido com desconforto ou garantias vagas. Estudos têm mostrado consistentemente que os pacientes querem – e precisam – de orientação clara sobre o funcionamento sexual. No entanto, tabus culturais, constrangimentos e falta de treinamento profissional continuam a silenciar essa conversa em ambientes clínicos., Em um estudo, apenas 16% dos cardiologistas discutiam rotineiramente a função sexual, enquanto 70% raramente ou nunca ofereciam orientação após o IM. As barreiras mais comumente citadas incluíam restrições de tempo, falta de privacidade e treinamento insuficiente.

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