Anatomopathological Session

Caso 3/2017 – Mulher de 47 Anos com Insuficiência Cardíaca Refratária e Infarto Agudo Por Embolia Coronária

Aspectos clínicos

Este caso pode ser entendido sob dois aspectos: doença crônica e descompensação aguda. Na primeira vertente, podem-se aventar algumas possibilidades sobre a etiologia do quadro de insuficiência cardíaca da paciente. Com a sorologia negativa para Chagas e as comorbidades conhecidas, as principais hipóteses possíveis são cardiopatia hipertensiva (fase dilatada), doença da microcirculação pelo diabetes mellitus e miocardiopatia dilatada idiopática.– A paciente tinha comparecido a apenas duas consultas, estando a investigação complementar ainda inacabada. Com relação ao quadro de descompensação aguda, num primeiro momento, estava relativamente claro que a hipótese infecciosa era a mais plausível e a elevação de marcadores de necrose miocárdica provavelmente estava relacionada à sepse e à instabilidade hemodinâmica (infarto agudo do miocárdio tipo 2). No entanto, após os resultados dos outros exames complementares (ecocardiograma e cineangiocoronariografia), a hipótese de infarto agudo do miocárdio de causa embólica fica mais evidente, principalmente devido à observação de trombo intracavitário no primeiro exame. A hipótese que se impõe, então, é que a disfunção importante do ventrículo esquerdo proporcionou a formação do trombo e um fragmento desse embolizou para a circulação coronariana, dando origem ao infarto agudo do miocárdio, culminando em piora da disfunção, deflagrando, por conseguinte, a cascata que levou a paciente ao óbito.

Entre as causas de êmbolos coronários temos doença valvar, miocardiopatia, aterosclerose coronária e fibrilação atrial. Em estudo de necropsia de Prizel et al., um trombo intracavitário esteve presente em 33% dos casos. Não se pode afastar, no entanto, causa infecciosa sobreposta para a descompensação. (Dr. João Gabriel Batista Lage)

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