Apical Sparing e Hiperrefringência Miocárdica: Nem Tudo que Reluz é Amiloidose Cardíaca
Introdução
Com os recentes avanços no diagnóstico e tratamento da amiloidose cardíaca (AC), tem sido amplamente discutido o papel dos métodos complementares em imagem cardíaca para o reconhecimento precoce dessa doença. Nesse contexto, a hiperrefringência miocárdica e a preservação da contratilidade do ápice do ventrículo esquerdo (apical sparing; AS), evidenciadas pelo ecocardiograma transtorácico (ETT) com análise do strain miocárdico (STE), se configuram como achados que frequentemente levantam a suspeita de AC.
Entretanto, apesar dessa associação, a heterogeneidade desse achado na AC, dependendo da população estudada, além da sua apresentação em outras condições, leva ao questionamento a respeito da real acurácia do AS para o diagnóstico dessa doença. Através do relato de três casos clínicos de pacientes portadores de condições clínicas diversas – cardiomiopatia hipertrófica (CMH), doença renal crônica (DRC) e uso de esteroides anabolizantes – em que foram descritos a hiperrefringência miocárdica e o AS à ecocardiografia, é proposta uma breve discussão a respeito da fisiopatologia desses achados e de suas limitações para o diagnóstico de AC.
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