Silvia Vanessa Lourenço et al. Giovanna Piacenza Florezi Cibele Pelissari Flavio Carneiro Hojaij … José Pinhata Otoch José Antonio Franchini Ramires
Resumo
Fundamento:
A menopausa representa uma importante transição biológica na vida da mulher, definida pela cessação da função ovariana e por uma redução acentuada dos níveis de estrogênio. Embora suas consequências sistêmicas, incluindo osteoporose e aumento do risco cardiovascular, estejam bem estabelecidas, seu impacto na saúde oral permanece insuficientemente reconhecido tanto por profissionais médicos quanto odontológicos.
Objetivo:
Examinar a influência da menopausa na saúde oral das mulheres, enfatizando os principais mecanismos fisiopatológicos, as manifestações clínicas e as estratégias interdisciplinares de prevenção e manejo.
Métodos:
Foi realizada uma revisão narrativa utilizando artigos recuperados da base de dados PubMed, publicados entre 2000 e 2025. Foram utilizados os seguintes descritores: “menopause”, “oral health”, “hormonal changes”, “cardiovascular disease”, “xerostomia”, “salivary glands”, “periodontitis” e “postmenopausal women”.
Resultados:
As alterações hormonais durante a menopausa estão associadas a diversas manifestações orais, incluindo xerostomia, síndrome da ardência bucal, doença periodontal e alterações do paladar. A deficiência de estrogênio parece contribuir para a redução do fluxo salivar, atrofia da mucosa e aumento da resposta inflamatória nos tecidos periodontais. Evidências emergentes também sugerem uma associação entre a saúde oral na menopausa e a doença cardiovascular, entre outras condições sistêmicas. No entanto, persistem lacunas importantes no conhecimento quanto ao manejo clínico e ao cuidado interdisciplinar de mulheres na menopausa.
Conclusão:
A saúde oral durante a menopausa reflete uma interação complexa de fatores hormonais, sistêmicos e comportamentais. Diante do aumento da expectativa de vida em todo o mundo, programas de educação e pesquisa em saúde oral devem priorizar esse tema. O fortalecimento da conscientização e a promoção da colaboração multidisciplinar são essenciais para melhorar os desfechos em saúde de mulheres na meia-idade.