Editorial

Ablação por Campo Pulsado para Fibrilação Atrial: Experiência Inicial no Brasil

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum na prática clínica e representa um fardo significativo para a saúde pública, pois está associada de forma independente à redução da qualidade de vida, ao aumento do risco de acidente vascular cerebral e à mortalidade por todas as causas. A incidência e a prevalência da FA estão aumentando em todo o mundo, impulsionadas principalmente pelo envelhecimento da população e pela crescente prevalência de comorbidades cardiovasculares. Em conjunto, esses achados explicam o impacto econômico da FA e seu papel como um desafio crescente para a saúde pública.

A ablação por cateter é uma estratégia bem estabelecida para o controle do ritmo na FA, tendo o isolamento das veias pulmonares como componente central, desde que os fatores desencadeantes relacionados às veias pulmonares foram identificados. Ao longo de mais de duas décadas, os avanços no mapeamento eletroanatômico, na tecnologia de cateteres e na aplicação de energia melhoraram a segurança e os resultados a longo prazo da ablação por radiofrequência e crioablação. Apesar desses avanços, o sucesso em um único procedimento permanece limitado e podem ocorrer complicações relacionadas a lesões térmicas colaterais. A ablação por campo pulsado (PFA) surgiu recentemente como uma nova modalidade de ablação não térmica baseada na eletroporação, induzida por pulsos elétricos rápidos que ablacionam seletivamente o tecido miocárdico, minimizando lesões em estruturas adjacentes, como o esôfago e o nervo frênico. Estudos clínicos iniciais e registros do mundo real demonstraram um perfil de segurança favorável e eficácia comparável à ablação térmica.– No entanto, a otimização de protocolos e a obtenção de dados robustos sobre os resultados a longo prazo continuam sendo necessárias, especialmente em países de baixa e média renda, como o Brasil.

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