Recorde de Resistência em 366 Maratonas durante 366 Dias: Um Estudo de Caso
Resumo
Fundamento
Um atleta brasileiro propôs estabelecer um novo recorde mundial de maratonas consecutivas, competindo em 366 maratonas durante 366 dias consecutivos. O impacto dessas maratonas consecutivas sobre o sistema cardiovascular permanece desconhecido.
Objetivo
Monitorar o sistema cardiovascular para avaliar quaisquer adaptações cardiovasculares do atleta ao longo do período.
Métodos
Durante a avaliação pré-estudo, conduzimos uma avaliação clínica pré-participação (APP) composta por anamnese, eletrocardiograma, exame de sangue e capacidade funcional por meio do teste cardiopulmonar no exercício (TCPE). Durante o acompanhamento, o TCPE seriado, a avaliação da composição corporal, a análise de amostra de sangue e o ecocardiograma foram realizados periodicamente, por 12 meses.
Resultados
Na APP, indivíduo do sexo masculino, 43 anos, altura: 1,83 m, peso: 76,9 kg, consumo máximo de oxigênio (VO2máx): 52 ml/kg/min, gordura corporal: 12,6%, pressão arterial sistólica e diastólica: 120/80 mmHg, glicemia: 92 mg/dL, colesterol total: 185 mg/dL, proteína C reativa de alta sensibilidade (hs-CRP): 0,08 mg/dL, creatina fosfoquinase (CPK): 183 U/L e troponina T de alta sensibilidade (hs-TnT): 7,1 ng/L. Durante o acompanhamento, a média de VO2máx permaneceu em 48,7 ± 1,2 ml/kg/min, a Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) em 62 ± 2%, o strain longitudinal global do VE em 19 ± 1%, o índice de massa do VE em 83 ± 7 g/m2, o hs-CRP em 0,07 ± 0,01 mg/L, a CPK em 169 ± 36 U/L, a hs-TnT em 8,2 ± 1,4 ng/L e nenhuma arritmia maligna foi observada.
Conclusão
O sistema cardiovascular do atleta se adaptou a um volume extremamente alto de maratonas consecutivas em intensidade moderada por 1 ano e permaneceu funcional na faixa de normalidade. Além disso, o atleta estabeleceu um novo recorde mundial de maratonas consecutivas, reconhecido pelo Guinness World Records.
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