Manejo Invasivo versus Conservador de Pacientes com IAMSSST com Idade ≥ 75 Anos: Comentários
Ao Editor,
Na edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Hu M and Yang Y,avaliaram o benefício de manejo invasivo precoce para pacientes idosos com infarto do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST), concluindo que essa estratégia produz resultados positivos na redução do infarto do miocárdio, eventos cardíacos adversos maiores e revascularização urgente. No entanto, existem algumas questões em relação à alegação de superioridade e à relevância dos desfechos escolhidos para essa população específica. Em primeiro lugar, esses desfechos (provocados pela isquemia) são, na sua maioria, desfechos substitutos de avaliação baseados nos níveis de troponina. Para estabelecer a substituição de um desfecho por outro, vários fatores precisam ser considerados, incluindo plausibilidade biológica, associações em estudos observacionais e, mais importante, prova de conceito por meio de ensaios onde a melhoria do desfecho substituto também melhora os resultados clínicos. Nesse sentido, as evidências mostram que a associação entre infarto do miocárdio não fatal e mortalidade cardiovascular ou por todas as causas atende aos dois primeiros níveis; porém, uma metanálise de ensaios clínicos randomizados não estabeleceu o infarto do miocárdio não fatal como um substituto para mortalidade cardiovascular ou por todas as causas. Na verdade, essa é uma relação reprodutível em desfechos de curto e longo prazo; a metanálise de FRISC-II, ICTUS e RITA-3 mostrou que, após cinco anos, a estratégia invasiva precoce para pacientes com IAMSSST não resultou em redução da mortalidade, apesar dos benefícios observados nos desfechos provocados pela isquemia.
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