Nas últimas décadas, temos testemunhado uma explosão na geração de dados em todos os campos. Na área da saúde, o uso generalizado de prontuários médicos eletrônicos e o advento de dispositivos vestíveis de monitoramento, por exemplo, têm contribuído para a geração de enormes volumes de dados de saúde. Na saúde pública, agora é mais fácil do que nunca usar métodos computacionais para criar conjuntos de dados com informações sobre morbidade e mortalidade. Um dos desafios é que os métodos de coleta de dados e as características da população, como a pirâmide etária, variam entre países e ao longo do tempo, dificultando a comparação e a análise de tendências temporais. Essa é a tarefa do estudo Carga Global de Doenças (Global Burden of Disease, ), que padroniza indicadores de mais de 400 desfechos de saúde e fatores de risco em mais de 200 países e territórios, permitindo comparações justas entre países e tendências em dados epidemiológicos ao longo do tempo, inclusive no Brasil., Outro desafio é que a informação muitas vezes está fragmentada em conjuntos de dados distintos. Essa é a tarefa da chamada Business Intelligence, que pode ser usada para criar ferramentas que transformam dados brutos e fragmentados, frequentemente coletados de diferentes fontes, em percepções visuais, muitas vezes dinâmicas e interativas, que permitem atualizações em tempo real, facilitando a interpretação de dados como um todo e apoiando o processo de tomada de decisão.
Nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Souza et al. relatam um estudo que utiliza o iCardio, uma plataforma online que aproveita a Business Intelligence para visualizar dados epidemiológicos em cardiologia intervencionista e cirurgia cardíaca do DATASUS no Brasil (). O iCardio, que faz parte de um projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi desenvolvido com dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Os indicadores incluem o número de procedimentos e internações de alta complexidade, o número de procedimentos por habitante, a localização geográfica onde o atendimento médico foi prestado, o deslocamento médio até o serviço de saúde, o tempo de internação, a taxa de reinternação, as taxas de mortalidade hospitalar e de mortalidade em até 30 dias após o procedimento ou alta hospitalar, e os custos. É importante ressaltar que os dados podem ser estratificados por sexo, faixa etária, raça/cor da pele, localização, tipo de atendimento (urgente/eletivo), diagnóstico e procedimento.,
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