Eduardo Martelli Moreira et al. Bernadette Cunha Waldvogel Eduardo Bello Martins Desiderio Favarato … Eduardo Gomes Lima Fabio Grunspun Pitta Fabiana Hanna Rached Henrique Trombini Pinesi Omar Asdrúbal Vilca Mejia Carlos Vicente Serrano Jr
Resumo
Fundamento
Dados sobre desfechos em longo prazo após cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) no Brasil ainda são limitados, embora essenciais para orientar políticas de saúde pública e a prática clínica.
Objetivos
Estimar as taxas de mortalidade por todas as causas e por causas específicas em cinco anos em pacientes submetidos à CRM e identificar fatores de risco associados.
Métodos
Análise retrospectiva de 6933 pacientes submetidos à CRM no Instituto do Coração, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, entre 2007 e 2018. Os dados de mortalidade até 2018 foram obtidos em bases de dados governamentais. Adotou-se nível de significância de 5%.
Resultados
A coorte do estudo incluiu 4854 homens (72%), com idade mediana de 63 anos (IIQ: 57–70). Diabetes mellitus estava presente em 2.984 pacientes (43%), e 1.918 (29%) tinham doença renal crônica. Durante o seguimento, ocorreram 1075 óbitos, dos quais 506 (47,1%) foram atribuídos a causas cardiovasculares. A taxa de mortalidade por todas as causas em 5 anos foi de 12,9% (IC 95%: 11,9–13,9), enquanto a mortalidade cardiovascular foi de 5,7% (IC 95%: 5,1–6,4). A principal causa de morte cardiovascular foi doença isquêmica do coração (290 óbitos, 57,3%), seguida por doença cerebrovascular (84 óbitos, 16,6%). Fatores significativamente associados à mortalidade por todas as causas incluíram idade avançada, diabetes mellitus, taxa de filtração glomerular, HDL-colesterol, fração de ejeção do ventrículo esquerdo, dimensões do átrio esquerdo e do ventrículo esquerdo em diástole, internação de urgência, cirurgia com circulação extracorpórea e tempo de internação hospitalar.
Conclusão
Pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio em um centro terciário apresentaram taxas moderadas de mortalidade por todas as causas e cardiovascular em cinco anos. Esses achados destacam fatores prognósticos importantes que podem auxiliar na estratificação de risco e orientar estratégias de manejo pós-operatório.