A Escolha da Prótese Valvar para o Sucesso da Gravidez. A “Ponta do Iceberg” para uma Doença de Evolução Complexa
Resumo
Fundamento
Escolher prótese valvar no planejamento de gravidez, ainda é controverso. Tanto as próteses biológicas quanto as mecânicas têm limitações para o sucesso da gravidez.
Objetivos
Estudar o índice de sucesso da gravidez após o implante de prótese valvar, e identificar as variáveis relacionadas aos desfechos maternos.
Métodos
Estudo prospectivo de 78 gestantes com prótese de pericárdio bovino (Grupo PB) e 50 com prótese mecânica (Grupo PM) quanto ao índice de sucesso da gravidez, considerado na ausência de complicações cardíacas, obstétricas e/ou fetais.
Resultados
O sucesso foi alcançado em 64 (50,0%) pacientes, e não foi diferente entre os grupos (PB 56,4% vs. PM 40,0% – p=0,103). O grupo PB teve maior frequência de eventos cardíacos e de disfunção de prótese (43,6% vs. 16,0% p<0,001; 26,9% vs. 2,0% p<0,001), contudo perdas fetais (14,1% vs. 24,0% p=0,165) e complicações obstétricas (28,2% vs. 42% p=0,127) não foram diferentes entre os grupos. A insuficiência cardíaca (odds ratio 8,5; CI 95% [1,4; 50,7]; p=0,019), fibrilação atrial (odds ratio 16,7; CI 95% [5,7; 49,1]; p<0,001) e disfunção da prótese biológica (odds ratio 12,6; CI 95% [3,0; 52,7]; p=0,001) anteriores à gestação foram as variáveis de predição de insucesso da gravidez.
Conclusões
Mulheres com próteses valvares tiveram baixo êxito materno-fetal decorrentes de fatores complicadores da doença valvar, da limitada sobrevida estrutural das próteses biológicas e da inexistência de anticoagulantes que assegurem uma gestação. A escolha da prótese valvar para a gravidez, não deve ser isolada, mas deve fazer parte de uma doença cardíaca de evolução complexa.
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