Associação entre a Gravidade da Doença Arterial Coronariana e Câncer de Pulmão: Um Estudo Piloto Transversal
Resumo
Fundamento
A relação direta entre a doença arterial coronariana (DAC) e o câncer de pulmão não é bem conhecida.
Objetivo
Investigar a associação entre a gravidade anatômica da DAC e do câncer de pulmão.
Métodos
Trezentos pacientes, incluindo 75 recém-diagnosticados com câncer de pulmão e 225 pacientes correspondentes sem câncer, foram submetidos à angiografia coronária durante a internação, sem intervenção coronária percutânea (ICP) prévia nem enxerto de bypass da artéria coronária (CABG). O escore SYNTAX foi utilizado para avaliar a gravidade da DAC. Uma pontuação alta no escore foi definida como > 15 (o maior quartil do escore SYNTAX). O teste de tendência de Cochran-Armitage foi utilizado para verificar a distribuição dos escores dos pacientes. Uma análise de regressão logística foi utilizada para avaliar a associação entre a gravidade da DAC e o câncer de pulmão. Os valores de p foram estabelecidos quando o nível de significância era 5%.
Resultados
A tendência de distribuição dos escores SYNTAX dos pacientes por quartis foi diferente entre aqueles com câncer de pulmão e controles (do quartil mais baixo ao mais alto: 20,0%; 20,0%; 24,0%; 36,0% vs. 26,7%; 26,2%; 25,8%; 21,3%; p=0,022). A pontuação no escore SYNTAX foi mais alta em pacientes com câncer do que nos pacientes controle (36,0% vs. 21,3%, p=0,011).O maior quartil do escore demonstrou mais riscos de desenvolver câncer de pulmão em comparação ao quartil mais baixo (OR: 2.250, IC95%: 1.077 a 4.699 ; P -trend= 0,016). Após ajustes, os pacientes no maior quartil do escore SYNTAX tinham mais risco de desenvolver câncer de pulmão (OR: 2.1o49, IC95%: 1.008 a 4.584; P -trend= 0,028). Pacientes com escores SYNTAX alto (> 15) tinham 1.985 mais chances de ter câncer de pulmão (IC95%: 1.105–3.563, P= 0,022).
Conclusão
A gravidade anatômica da DAC está associada ao risco de câncer de pulmão, o que indica que um rastreamento completo deste tipo de câncer possa ser mais significativo entre pacientes com DAC.
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